27.1.07

alta costura












Para ver mais sobre a colecção do criador de moda português Felipe Oliveira Baptista aceder a http://www.elle.com/collections/10169/felipe-oliveira-baptista-spring-2007-haute-couture-collections.html

26.1.07

Congresso Feminista 2008!

Vem aí o Congresso Feminista! Faltam só cinco meses para essa realidade tomar lugar, evocativa de uma outra, em 1928, quando o anterior congresso aconteceu e cuja abertura pertenceu a Elina Guimarães. Parece que foi..... há muito tempo. E foi mesmo. Contudo, as consciências não estão adormecidas. Só ocupadas. Muito ocupadas. O tempo é todo nosso, e parece que falta. Na cidade das mulheres todos os meses o megafone será levantado para falar deste congresso e da sua importância na sociedade. Para além das muitas áreas temáticas (cerca de 25) abertas para congressistas, o congresso será palco de muitos debates, reflexões, encontros, momentos enfim de convívio e de partilha entre correntes de pensamento, activismo, e intervenções a vários níveis, desde as mais científicas, às mais artísticas e culturais. A realidade é múltipla. Até já.

20.1.07

Fiama

Porque deste a teu filho asas de plumagem e cera
se o sol todo-poderoso no alto as desfaria?
Não me ouviu, de tão longe, porém pensei que disse:
todos os filhos são Ícaros que vão morrer no mar.
Depois regressam, pródigos, ao amor entre o sangue
dos que eram e dos que são agora, filhos dos filhos.

Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007), «Epístola para Dédalo» in Epístolas e Memorandos, 1996

18.1.07

16.1.07

A Carta - Parte V

Passadas que estão tantas revoluções, continuamos a precisar de uma utopia que bem pode ter a forma de uma Carta e assentar em valores como a liberdade, a igualdade, a solidariedade, a justiça e a paz.
O movimento necessário à história continua a depender do desejo de atingir uma sociedade perfeita, igualitária, onde a universalidade de direitos seja tão importante como o amor.
Depois da Conferência de Pequim em 1995 surgiu a ideia de uma Marcha Mundial das Mulheres, no momento em que se organizava no Québec a Marcha das mulheres contra a pobreza, «Du pain et des roses». Em jeito de parênteses, não posso deixar de pensar na história portuguesa e na Rainha D. Isabel (n.Saragoça, 1271- f.Santarém, 1336), a quem chamaram de Santa. É por demais conhecido o episódio em que ela, por ser muito piedosa e ajudar os pobres, transforma os pães que leva escondidos no regaço em rosas, no momento em que é interpelada por D.Dinis, respondendo: «São rosas Senhor!». Aqui está uma precursora secular neste movimento global contra a pobreza, batalha que se desenrola agora em várias frentes, desde a música popular urbana (de Bob Geldof a Bono Vox) por meio da qual os líderes mundiais são pressionados a minorar a fome em África, até às organizações não governamentais que lutam contra a pobreza no mundo.
Foi uma acção concreta contra a pobreza no Québec (curiosamente, um dos esboços da Declaração Universal dos Direitos Humanos foi feito pela pena de John Peters Humphrey, do Canadá.) que despertou em muitas militantes feministas o gosto pela acção colectiva e o desejo de que mudanças concretas acontecessem na vida das mulheres confrontadas com a pobreza. A tudo isto se juntava a esperança de que a sociedade local reconhecesse o feminismo como instrumento de transformação social. Nos meses de Maio e Junho de 1995 e por iniciativa da Federação das Mulheres do Québec (FMQ), cerca de 850 mulheres marcharam durante 10 dias para reclamar medidas para eliminar a pobreza. Os laços desenvolvidos com grupos de mulheres de outros locais constituiu o passo seguinte para a formação de um movimento mais alargado. ( Sobre a Marcha Mundial das Mulheres a revista Artigo Feminino de Outubro de 2005, ed.Mar da Palavra, abriu com um texto de uma feminista de longa data, Diane Matte, professora, que foi a coordenadora da Marcha contra a pobreza «Du pain et des roses» que teve lugar no Québec e mobilizou 40 000 pessoas. Ela é a coordenadora desta rede de acções mundial, continuando a trabalhar persistente e solidariamente com vista a colocar fim à pobreza e à violência contra as mulheres.)
Em Outubro de 1998 dava-se o primeiro encontro internacional e cerca de 140 representantes de 65 países adoptavam em Montreal os dois temas da Marcha: eliminação da pobreza no mundo e eliminação da violência sobre as mulheres, temas que são desdobrados em 17 reivindicações mundiais. Portugal esteve ali presente, através da Umar (União de Mulheres Alternativa e Resposta) e da então presidente Helena Pinto.
Durante 2000 as Coordenações Nacionais constituiram-se e redigiram plataformas de reivindicações nacionais, organizando acções e marchas. O dia do lançamento oficial a nível internacional da Marcha Mundial das Mulheres foi a 8 de Março, com a apresentação de uma campanha que visa recolher milhões de assinaturas em apoio às reivindicações. Ainda naquele ano, a 17 de Outubro, Dia Internacional para a Eliminação da Pobreza, 10 000 mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque, ao mesmo tempo que uma delegação transmitia as reivindicações aos responsáveis da ONU, entregando-lhes igualmente os cinco milhões de assinaturas recolhidas em todo o mundo. Como se vê um trabalho laborioso, com uma visão que rejeita a mundialização neoliberal, e quer dizer não à fatalidade da pobreza. Como escreveu Diane Matte na Artigo Feminino «é a convicção profunda da importância do movimento autónomo das mulheres como lugar de trocas, de aprendizagem, de análise de realidades comuns, de acções feministas e de construção de alternativas por um mundo sem opressão, que guiou os nossos passos, apesar do imenso desafio que isso representou».

3.1.07

Canto dos Lugares

«Tantas vezes os lugares habitam no Homem
e os homens tantas vezes habitam
nos lugares que os habitam, que podia
dizer-se que o cárcere de Sócrates,
estando nele Sócrates, não o era,
como diz Séneca em epístola a Hélvia.

Por isso cada lugar nos mostra
uma vida clara e desmedida,
enquanto o Tempo oscila e nos oculta
que é curto e ambíguo
porque nos dá a morte e a vida.

E os lugares somente acabam
porque é mortal cada homem
que houve em si algum lugar.»

Fiama Hasse Pais Brandão (Lisboa, 1938)

A imagem do lugar


Lagoa do Fogo, S.Miguel