31.8.07

Vanessa e Ben




«Boa sorte/good luck», Vanessa da Mata e Ben Harper, um videoclip inspirador e desejos de um bom fim de semana. Como diz a canção, «Há tantas pessoas especiais no mundo».

30.8.07

Calças descaídas

Há quem dê o carácter de ofensa criminal ao gosto, lá para os lados de Mansfield, La, EUA. Tarefa ingrata e que põe em causa o valor da liberdade - quanto ao vestir. Quem reporta sobre o terrível caso das calças descaídas é Niko Koppel do NYT. Os miúdos de 17 anos que se cuidem.

Teresa Gabriel



Teresa Gabriel canta hoje, dia 30 de Agosto, pelas 23h00, no Maxime, em Lisboa.

29.8.07

Pés, para que vos quero

Uma mostra de sapatos no Museu Nacional do Traje devolve-nos aos vários modos de andar possíveis ao longo de todo o século XX, consoante a altura e a alma do sapato. Está patente até dia 15 de Setembro, no Largo Júlio de Castilho, ao Lumiar, das 10h00 às 18h00, excepto à Segunda-feira.

28.8.07

Moda no Verão 2007





















































Mergulho. Três mulheres. Estilos cúmplices com o Verão. O que vestem é da sua escolha pessoal.
Em cima, T-shirts de apelo à não violência, exemplares que se encontravam à venda por ocasião do seminário «Stop violence domestic against women», em Lisboa, organizado pela Divisão Igualdade de Género e Anti-Gráfico, Direcção Geral dos Direitos Humanos e Assuntos Jurídicos do Conselho da Europa, em colaboração com a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, a 5 de Julho último.
Inês usa pano Keffiah, numa rua de Lisboa, por altura do Santo António. A seguir, óculos de sol com a assinatura de José António Tenente.
Paula, contempla a paisagem numa esplanada do Oeste, junto à praia. Chinelas «Havaianas», exposição realizada neste Verão na Estufa Fria, em Lisboa.
Eduarda, num dos intervalos do festival «Músicas do Mundo», fazendo praia em Sines.

Woman





A exposição colectiva de artistas plásticas intitulada «Woman or work in progress?» vai inaugurar no Porto, na próxima sexta-feira, 31 de Agosto, pelas 22h00, por ocasião da reabertura naquela cidade do espaço cultural Plano B, na Rua Cândido dos Reis, nº 30. A exposição vai estar patente até ao dia 30 de Setembro, de terça-feira a Sábado, das14.30h às 20h e das 22h às 02h00. «Woman or work in progress?» é uma exposição colectiva resultante de um diálogo entre diversas linguagens plásticas, onde se reconhece a individualidade de cada uma destas mulheres artistas. Este encontro de amigas unidas pela arte tem como objectivo principal dar visibilidade à mulher no mundo artístico. As artistas plásticas representadas são Adriana Castro, Benedita Kendall, Catarina Machado, Daniela Nogueira, Isabel Monteiro, Joana Peres, Joana Rêgo, Marcela de Navascués, Marta Fonseca, Paula Parracho e Sandra Palhares. Comissária: Catarina Machado.

23.8.07

O verbo voar



Ola Kala, expressão que significa "tudo vai bem" em grego, é o nome do espectáculo de novo circo da Companhia Les Arts Sauts, interpretado por 17 trapezistas e 5 músicos. É um autêntico bailado aéreo que a Companhia francesa Les Arts Sauts apresenta em Ola Kala. Les Arts Sauts, uma das companhias de novo circo mais respeitadas em todo o mundo, dedica-se há 14 anos a transformar o trapézio numa "arte à parte". Até dia 26 de Agosto (21h00), em Lisboa, junto ao CCB, esta será provavelmente a última oportunidade para ver esta companhia. O espectáculo Ola Kala já deu a volta ao mundo e a actuação de Lisboa é a penúltima de Les Arts Sauts. Após quase 15 anos em apresentações, a companhia decidiu que este seria o seu último ano de actividade.

21.8.07

Entrepontos

«Entrepontos » é a primeira proposta de objectos que o novo grupo criativo Trasfega desenvolve. Lançada na Primavera em Coimbra, na Galeria Santa Clara, chegou a Lisboa este mês onde permanece até 25 no bar-livraria-galeria Cem Medos, na Rua da Rosa, 99, no Bairro Alto. Construídas originalmente, ou a partir de modelos existentes, as peças de roupa são quase telas abertas ao exercício decorativo. À roupa, juntam-se acessórios diversos, entre os quais se destacam as peças de joalharia em estanho. Quatro mulheres constituem o colectivo Trasfega: Cláudia Fereira, Manuela Brito, Teresa Albuquerque, e Sandra B.B. Ferreira (co-autora da fotografia, com Manuela Brito; encomendas - sferreister@gmail.com).

20.8.07

Irene Lisboa

O Museu Irene Lisboa (na Rua 5 de Outubro, 17 – Arranhó - Arruda dos Vinhos) está aberto desde 24 de Junho, com o museu virtual a funcionar desde o passado dia 10 de Agosto. A escrita dominou toda a vida de Irene Lisboa (1892-1958), que produziu uma vasta obra literária, onde se encontram romances, reflexões, novelas, contos. Escreveu sobre pedagogia - disciplina em que se especializou - e livros para crianças. Nasceu na Quinta da Murzinheira, freguesia de Arranhó e concelho de Arruda dos Vinhos, estudou em colégios e num liceu de Lisboa, onde fez o magistério primário. Viveu em Lisboa com a madrinha e passava férias na Quinta de Monfalim, concelho de Sobral de Monte Agraço, onde morava o pai e a sua família. Estudou também na Bélgica, França e Suiça. Para além de professora do ensino pré-primário, mais tarde foi inspectora orientadora de ensino e passou a funcionária administrativa do Instituto para a Alta Cultura. Um colóquio e uma exposição sobre a literatura de Irene Lisboa irão ter lugar no museu, no próximo dia 23 de Setembro, com a presença de Violante F. Magalhães e Paula Mourão (em colaboração e integrado no 18.º aniversário da Biblioteca Municipal Irene Lisboa).

17.8.07

a vida...

... dos outros... a não perder. Em Lisboa, no Quarteto, «Das leben der anderen» (2006), de Florian Henckell von Donnersmarck, vai na sua 10ª semana. O filme ganhou este ano o Oscar para Melhor Filme Estrangeiro. A Cidade das Mulheres recomenda a quem ainda não o viu, que embarque neste excelente argumento: uma história bem contada, tocante, que nos mostra como era a vida antes do muro cair na RDA, quando havia uma Stasi não muito diferente nos seus métodos de controlo social (incluindo o emocional) da antiga Pide. Há um ambiente azuláceo que predomina em todo o filme, bem como uma sensação de tempo parado. O amor pincela de esperança os corações que, não raras vezes, são esmagados. Mas o amor vence. Sempre.
Hoje faz anos Maureen O'Hara, cumprindo assim 87 lindos Verões. A actriz de «How green was my valley» (1941), «The woman's secret» (1949), «Rio Grande» (1950) ou «The quiet man»(1952), protagoniza entre muitos outros um filme produzido em Lisboa, por Ray Milland (1905-1986), actor e realizador também. O filme é de 1956, chama-se «Lisbon», e conta nos principais papéis com Maureen O'Hara, Ray Milland e ainda Claude Rains, o actor que faz de inspector da polícia em «Casablanca» (filme onde Lisboa é também referência).

16.8.07

Por África

A nova campanha para angariar fundos a favor de África implica uma mulher ou um homem exibindo determinados produtos - o preço destes e o custo de cada item básico para a sobrevivência fica à reflexão de cada leitor (a) .

14.8.07

Rapariga, és linda!



«Big girl (You Are Beautiful)», Mika, 2007

13.8.07

Lauren Newton - Mulheres no jazz VI

Lauren Newton (na foto, à direita) vive na Alemanha desde 1974, mas nasceu em Coos Bay, Oregon (EUA), filha de pai contrabaixista. Recorda-se das sessões de jazz que aconteciam em sua casa, mas do seu ambiente tanto fazia parte o jazz como a música clássica, que começou a aprender em primeiro lugar. Apesar do jazz «estar-lhe no sangue» como ela afirma graciosamente, o seu interesse por ele só despertou com a sua vinda para a Europa, para terminar os seus estudos na Universidade de Estugarda. Por um acaso, estava num clube de jazz em Estugarda quando a convidaram para fazer parte de um grupo, que fazia uma mistura de rock e jazz. Quando o músico que a convidou, Frederic Rabold, lhe perguntou se ela escrevia letras, respondeu redondamente «não». No entanto, disse-lhe que poderia cantar como se a sua voz fosse um dos instrumentos: «Sempre quis fazer algo diferente com a minha voz; mesmo durante os estudos clássicos procurava sempre canções de linhas melismáticas ou sem letras e estudáva-as intensamente». A sua voz integrou-se assim no grupo, cantando como um instrumento ao lado do trompetista e do saxofonista. Paralelamente, trabalhava em repertório moderno na escola, pois não queria ir para ópera. Interessava-lhe sobretudo o novo repertório do século XX. Depois de terminar os seus estudos, foram precisos apenas dois anos para ser descoberta por Mathias Ruegg, líder da Vienna Art Orchestra, uma «big band» de jazz. Este foi o principal grupo com quem cantou durante 10 anos (1979-1989 ), e com o qual veio a Lisboa numa das edições passadas do Jazz em Agosto.
Em entrevista concedida a Alain Drouot, em Lucerna, Suiça (em Novembro de 2001), Lauren confessa que em toda aquela década de trabalho com a Vienna Art Orchestra aprendeu a ser mais forte, como música e como mulher, já que eram todos homens num grupo 13 pessoas. Aprendeu além disso a desenvolver a sua voz de uma maneira diferente e segundo uma linguagem musical própria. É esperado que um (a) músico(a) de jazz saiba improvisar sobre as mudanças, o que conseguia fazer até certo ponto, mas só mais tarde veio a desenvolver esse aspecto mais aprofundadamente.
Para Lauren Newton foi muito bom afastar-se daquela orquestra, pois isso significou «afastar-se da distracção de estar numa grande banda onde uma pessoa pode ser facilmente esquecida enquanto ser individual».
Depois, veio a trabalhar com Anthony Braxton e com outros músicos e músicas: The Vocal Summit, com Bobby McFerrin, Jeanne Lee, Jay Clayton, e Urszula Dudziak. Trabalhou também com Maria João, durante um par de anos, e fizeram concertos juntas. Desde 1990 que tem o seu quarteto vocal composto por ela própria, pela alemã Elisabeth Tuchmann, e por dois homens - os austríacos Oskar Mörth e Bertl Mütter.
Outro projecto que tem desenvolvido é um duo com Joëlle Léandre, voz e contrabaixo, uma admirável combinação para a improvisação livre. Para Lauren o que Joëlle, como outras mulheres, está a fazer na cena do jazz é fantástico, mas continua a sentir que é ainda um mundo de homens. «Estou tão habituada, que já nem penso nisso. (...) Mas muitas mulheres estão interessadas em tocar jazz. Veja-se quantas estão na clássica. Entre cantores, a maioria são mulheres. Tenho alguns rapazes entre os meus alunos, mas sempre que dou workshops, quase sempre há mais mulheres».

Na fotografia, o grupo vocal Timbre, no Jazz em Agosto, dia 11.
Foto: Joaquim Mendes/Cortesia Fundação Calouste Gulbenkian.

http://www.laurennewton.com/index.htm

11.8.07

Elisabeth Tuchmann - Mulheres no Jazz V

Elisabeth Tuchmann nasceu em Muenster, Alemanha, e começou a aprender a tocar guitarra e a cantar aos oito anos de idade. Aos 16 iniciou os seus estudos de jazz e de improvisação. Prosseguiu os estudos de canto com Jay Clayton e Lauren Newton, recebendo o diploma em 1993. Também é licenciada em Literatura Alemã, Filosofia e Musicologia. Trabalhou com o compositor brasileiro Filó Machado, com quem também se apresentou em concertos. Toca música improvisada em vários projectos, como solista ou artista convidada. Em 1995 fundou o coro feminino «Vocalisa» em Muenster, que dirige desde essa data, fazendo também os arranjos das músicas. Em 1998 começou a ensinar na escola de música em Berlin-Charlottenburg. Desde 2001 que dá palestras sobre improvisação vocal em jazz, dirige e escreve arranjos para o coro de jazz do conservatório de música e teatro «Félix Mendelismo Bartolomeu», em Leipzig. Em 2004 começou a tocar jazz, música brasileira e composições originais com o seu próprio quarteto, o «Elba Noé». Tem ensinado e participado em workshops sobre o canto do jazz, música brasileira, técnica vocal e improvisação, desde 1988. Elisabeth vive em Berlim, na Alemanha.
Hoje, pelas 18h30, Elisabeth actua com o Timbre no Jazz em Agosto, na Fundação Calouste Gulbenkian (Aud.2).

TIMBRE (EUA, Alemanha, Áustria)
Lauren Newton, voz
Elisabeth Tuchmann, voz
Oskar Mörth ,voz
Bertl Mütter, voz, trombone

No ultimo dia do Jazz em Agosto 2007, temos o grupo vocal a capela Timbre, onde sobressai a vocalista Lauren Newton e as vozes de Elisabeth Tuchmann, Oskar Mörth e Bertl Mütter que também se desdobra em trombone. Longa relação a destes músicos cujos intercâmbios de voz expressos numa via experimental e criativa concedem muito espaço à improvisação. O grupo é um organismo vivo de supremo apuro técnico, que materializa som e efeitos mágicos, o que pode ser confirmado nos seus registos de 2003 num concerto para a Rádio DRS de Zurique, denominado Timbre Plus, dado que engloba a participação do baterista Fritz Hauser, do saxofonista Urs Leimgrubber e da contrabaixista Joëlle Léandre. Com uma longa relação de vários anos, o grupo desenvolve um consenso de interacção vocal através de criativas composições.

Joëlle Léandre - Mulheres no Jazz IV

Joëlle Léandre (n.12.07.1951, Aix-en-Provence, França) começou por tocar flauta de bisel, passando rapidamente para o piano. Entre os nove e os 14 anos de idade estudou piano e contrabaixo na sua cidade natal de Aix-en-Provence. O seu professor, Pierre Delescluse, encorajou-a a frequentar o Conservatório Nacional Superior de Música de Paris onde ganhou o primeiro prémio em contrabaixo. Em 1976 recebeu uma bolsa do Center for Creative and Performing Arts (Centro de Artes Criativas e Performativas) de Buffalo, iniciando assim um período da sua vida que veio a revelar-se uma influência particular no seu trabalho, em virtude de encontros com Morton Feldman, e com a música de Earl Brown, John Cage e Giacinto Scelsi. Ao mesmo tempo, teve oportunidade de contactar a cena musical da downtown nova-iorquina e de prosseguir o seu envolvimento com a música improvisada.
Continuou ligada à música contemporânea, não apenas como membro de ensembles de música contemporânea como o 2E2M, Itinéraire e l'Ensemble Intercontemporain, mas especialmente através dos trabalhos a solo encomendados a Cage e Scelsi, que ela interpretou e gravou. Joëlle Léandre tocou e gravou em todo o mundo com Derek Bailey, George Lewis, Irène Schweizer, Anthony Braxton, Maggie Nicols, Lindsay Cooper, Fred Frith, Evan Parker, Carlos Zíngaro, Jon Rose, Eric Watson, Lol Coxhill, Peter Kowald, William Parker, Barre Phillips. É membro do Grupo Feminino Europeu de Improvisação (European Women's Improvising Group, gravado na Intakt 002) e integrou Les Diaboliques, com Maggie Nichols e Irène Schweizer. Afirmou ao Jazz Magazine (2003): «Sabem, tomar a palavra é importante. As mulheres têm poucos modelos, poucos ídolos. Nós pelo contrário temos de carregar o peso de uma história em que as mulheres não passavam de musas, emolduradas em quadros ou em poemas». [in http://www.jazzmagazine.com/Musique/oreille/oreille44.htm].
Gravou um dos discos mais bizarros (mesmo na óptica da improvisação livre) no Les Domestiques com Jon Rose – uma compilação de sons domésticos com arranjos musicais. Mais recentemente, fundou o Canvas Trio com Rüdiger Carl e Carlos Zíngaro, seus conhecidos de longa data. Depois de ouvir o jazz de Mingus, Cecil Taylor, Monk, Dolphy, depressa transitou para o reino livre da improvisação no qual, Derek Bailey é uma referência extremamente importante para ela, bem como George Lewis e Irène Schweizer e, certamente, Anthony Braxton. «Conhecer Derek em Nova Iorque há alguns anos atrás teve para mim um impacto quase tão grande como conhecer Cage» [Kanach, 1991].
Referindo-se a John Cage, numa declaração a Machart (1994) disse: «Ele será sempre o meu pai espiritual. Já tinha lido For the Birds antes de o conhecer. É um livro importante. Cage fez-me escutar o mundo à minha volta: “Deixa que o som seja aquilo que é”. Ele desvelou um universo de possibilidades; deu-me confiança; cozinhou para mim (era um óptimo cozinheiro) com o seu amigo Merce Cunningham; era um bom amigo. Era o primeiro a sorrir quando eu tocava a minha peça Taxi no hall da Universidade de Columbia – ainda me recordo bem disso!» Sobre Scelsi, disse ao mesmo entrevistador: «Outro encontro tão importante como ter conhecido Cage. Scelsi respeitava a liberdade dos meus actos, havia uma intimidade quase feminina entre nós. A sua música avassalava-me, é cheia de verdade porque nos fala da nossa consciência, da nossa condição humana. Ouvir a sua música afecta-me profundamente. Não tem propriamente uma qualidade ‘geográfica’; tem ondas que nós fazemos vibrar. Gosto muito de tocar as suas várias peças para contrabaixo porque me proporcionam um mundo completo de sonoridade. É uma música paradoxal, na medida em que é complexa e simples ao mesmo tempo. Conheci Scelsi em 1978, em Roma, depois de uma estadia na Universidade de Buffalo, onde descobri Okanagon, uma das suas peças mais extrordinárias. Rapidamente nos tornámos amigos. Dez anos mais tarde, no dia 8 de Agosto de 1988, eu estava presente na hora da sua morte. Foi como se se tivesse, simplesmente, desvanecido.»
Em 1994, Joëlle Léandre foi a artista DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst) em residência na cidade de Berlim; entre Novembro de 1997 e Junho de 1998 viveu em Metz, nordeste de França, dando aulas e master classes em instituições de ensino superior desta região e apresentando-se em concerto com vários improvisadores, entre os quais, Eric Watson, Lauren Newton, Carlos Zíngaro, Paul Lovens. Foi professora convidada de improvisação e composição no Mills College, Oakland, California, entre Septembro e Dezembro de 2002 e, novamente durante o mesmo período em 2004, aquando da sua visita a Darius Milhaud, professor de composição e improvisação em Mills.
Hoje, no Jazz em Agosto, Joëlle Léandre, uma das mais reputadas contrabaixistas europeias, apresentar-se-á a solo, às 15:30, na Sala Polivalente do Centro de Arte Moderna da FCG. É um solo especial que versará compositores contemporâneos que escreveram obras exclusivas para ela: Giacinto Scelsi, John Cage, Phillipe Hersant, José Luís Campana. O solo não se cingirá a estes compositores, Joëlle poderá ser também ouvida nas suas consumadas improvisações, onde a sua voz adquire uma nova contundência. Um seu disco recente de 2005 gravado na Bélgica na label Jazz Halo, «Concerto grosso, Live at Gasthof Heidelberg Loppem» é o retrato sónico desta extraordinária contrabaixista.

10.8.07

Marilyn Crispell - Mulheres no Jazz III

Marilyn Crispell (EUA) trabalha com Urs Leimgruber e Fritz Hauser desde 1994. No quarteto, o seu piano funciona como força magnética. Mas o espaço ocupado por cada um dos instrumentos é cruzado pelas sensibilidades em presença – o contrabaixo habita o mesmo registo do saxofone ou então o piano acentua a natureza percussiva da bateria de Fritz Hauser.
Marilyn Crispell formou-se no Conservatório de Música de New England onde estudou piano clássico e composição. Descobriu o jazz através da música de John Coltrane, Cecil Taylor e de outros músicos e compositores contemporâneos de jazz. Foi membro do Anthony Braxton Quartet e do Reggie Workman Ensemble durante dez anos. Membro também da Barry Guy New Orchestra, ela tem sido frequentemente convidada a tocar com a sua orquestra, a London Jazz Composers Orchestra. Crispell liderou os seus próprios trios de parceria com Gary Peacock, Paul Motion e Mark Helias. Tocou e gravou com muitos outros grandes músicos da cena americana e europeia do jazz, tendo igualmente tocado e gravado música dos compositores contemporâneos Robert Cogan, Pozzi Escot, John Cage, Pauline Oliveros, Manfred Niehaus e Anthony Davis, incluindo apresentações da sua ópera “X“ com a New York City Opera. Compôs música para o filme Soul Suitcase do realizador Paul DiStefano, de Toronto. Marilyn Crispell foi várias vezes bolseira da New York Foundation for the Arts. Além de tocar, ela ensinou improvisação em workshops e participou em palestras/demonstrações em universidades e centros de arte nos E.U.A., Europa, Canadá e Nova Zelândia. Na edição do Jazz em Agosto 2002, Marilyn Crispell actuou com Barry Guy, Mats Gustaffson e Raymond Strid. Na actual edição, ela apresenta-se hoje com o Quartet Noir, no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian, pelas 21h30.

O Quartet Noir é, a bem dizer, um grupo de culto que realiza raras aparições, existindo desde 1998, e fazendo raras aparições. Os detalhes preciosos das suas longas improvisações são constantemente renovados em manifesto conforto baseado na experiência de cada um. Um processo de ascese através da pesquisa sonora abstracta. Quatro mestres postos ao serviço da criação musical instantânea, e que apenas dispõem de dois discos na canadiana VICTO; o mais recente é ‘Lugano’, um registo ‘live’ para a Rádio Suiça em 2004, um continuum dividido em três partes das quais ouviremos duas.

QUARTET NOIR (Suiça, EUA, França)
Urs Leimgruber saxofone tenor, soprano
Marilyn Crispell piano
Joëlle Léandre contrabaixo
Fritz Hauser bateria

8.8.07

Claire Daly - Mulheres no jazz II

Claire Daly conta que a sua vida mudou quando, em 1971, ouviu um concerto de uma «big band» no Westchester County Center. Ela era muito jovem e tocava saxofone há três meses apenas. Depois de estudar na Berklee College of Music, começou a viver da música. Trabalhou como free lancer, participando em tudo o que era sessão de jazz, e gravou cinco CD’s com o compositor e pianista Joel Forrester, e a sua banda People Like Us, bem como dois Cd’s como líder em Koch Jazz. Mas Claire Daly actuou em numerosos outros trabalhos discográficos, bandas sonoras, e festivais. Ela acompanhou Aretha Franklin, James Brown, Rosemary Clooney entre muitos outros, sendo baritonista em todos os estilos de música. Ao liderar os seus próprios grupos de jazz, a sua missão tem-se afirmado ao passar o dom da música à geração mais nova. Ganhou quatro vezes o Downbeat Critic’s Poll «Talent Deserving Wider Recognition» e ganhou o «Baritone Sax of the Year» da Jazz Journalist Association em 2005. Amanhã, dia 9, pelas 21h30, apresenta-se com o contrabaixista Joe Fonda no Jazz em Agosto da Fundação Calouste Gulbnkian, no Anfiteatro ao Ar Livre:
Joe Fonda’s Bottoms Out ‘Loaded Basses’ (EUA, ALEMANHA)
Joe Fonda contrabaixo
Claire Daly saxofone barítono
Joe Daley tuba
Gebhard Ullmann clarinete baixo
Michael Rabinowitz fagote
Gerry Hemingway bateria

She can combine bebop phrasing with a big barking R&B tone...Jazz could use more like her Kevin Whitehead, Chicago Reader

She is definitely the baritone saxophone talent to watch
Paul DeBarros, Downbeat

7.8.07

Cesariny - In memoriam


No dia em que faria 84 anos, dia 9 de Agosto, são lançados em Lisboa dois livros, pelas 22h00, no Lux-Frágil, testemunhos da obra e personalidade de Mário Cesariny.
José Manuel dos Santos apresenta
Poemas de Mário Cesariny
ditos pelo poeta,
(livro com CD, onde se reproduzem 34 poemas
gravados durante o Verão de 2006).

Miguel Gonçalves Mendes apresenta
o livro / entrevista com Cesariny
Autografia / Verso de Autografia.
«Sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra (...).»

6.8.07

Norma Jean Mortensen - In Memoriam

Cartaz do filme «O pecado mora ao lado». Com o nome de nascimento Norma Jean Mortensen - n. 1 Junho 1926 - f.5 Agosto 1962 - imortalizou-se como Marilyn Monroe, a maior de todas as estrelas da sétima arte.

As carreias das mulheres no Japão

A igualdade de oportunidades pode estar definida na lei, mas não na vida social e nas práticas sociais. É o que acontece no Japão (e não só...). O artigo de hoje do NYT assinado por Martin Fackler é isso mesmo que relata.

http://www.nytimes.com/2007/08/06/world/asia/06equal.html?ex=1344139200&en=678d0382068720c7&ei=5124&partner=permalink&exprod=permalink

Shirley Clarke - mulheres no jazz I

A segunda semana de concertos do Jazz em Agosto em Lisboa, começa sob o signo do cinema - Ornette: Made in America, filme documental da realizadora Shirley Clarke, para seguir na Sala Polivalente do CAMJAP (FCG), às 18h30.
Elaborado ao longo de 20 anos e concluído em 1985 pela cineasta Shirley Clarke, desaparecida há 10 anos, este documentário retrata três décadas da vida de Ornette Coleman. Depois de muitas viagens, o músico regressou a casa, em 1983, altura em que lhe é dada a chave da cidade, pelo presidente da câmara de Fort Worth. O filme revela o universo criativo de Ornette Coleman através dos seus concertos, amigos e admiradores, incluindo entrevistas e fotografias - com a presença de uma lista de personalidades como William Borroughs, Don Cherry, Charlie Haden, Bryon Gisin. Vemos Ornette Coleman com a sua Prime Time Band (que nós tivémos oportunidade de ouvir em Portugal, no Jazz em Agosto de 1988) e com uma orquestra sinfónica.
As filmagens da realizadora incluem Ornette em conversa com a família, incluindo o seu filho Denardo - que integra como baterista o quinteto de Coleman presente no próximo sábado no Jazz em Agosto - e os amigos, excertos de entrevistas, viagens, e concertos – apresentando-se um registo notável da carreira deste músico nascido em 1930. O filme foi lançado recentemente em DVD para coincidir com o 2007 Grammy Awards, no qual o músico ganhou o prémio Lifetime Achievement. Este ano foi-lhe igualmente atribuído o prémio Pulitzer de música.
Essencial para se compreender a história do jazz e o intercâmbio criativo que se gerou nos anos de 1960 e de 1970 na América o filme de Shirley Clarke revela-se assim como um retrato em movimento da vida de um artista tão inovador como é Ornette. Bastante aclamado aquando da sua realização, em 1985, o filme toma um significado hoje ainda maior pela carreira de Coleman e pela crescente influência que ele tem desde então. Ao mesmo tempo, a interpretação da sua vida e do seu tempo através do olhar de Shirley Clarke permanece tão fresca e excitante como antes.

As críticas ao filme
As técnicas inovadoras que a realizadora Shirley Clarke e a produtora Kathelin Hoffman empregaram neste filme assemelham-se de muito perto à música do homem que tomaram por tema, desafiando o formato tradicional de documentário de modo a revelar a extraordinária visão de Ornette, através de uma igualmente extraordinária realização artística.
Deborah Snyder, CEO, Synergetic Press.
Um retrato único de um gigante do jazz.
San Francisco Chronicle

Um filme maravilhoso do complexo Ornette.
San Francisco Examiner

Um projecto único cuja composição rejeita fronteiras... em favor de um caminho mais alusivo ... o material fílmico é esplêndido, definitivamente valioso.
The Wire (London)

Clarke leva o público até à sua música e o seu espírito.
Twin Cities Reader (Minneapolis)

O filme não é apenas um filme sobre um grande músico... é também, como o título sugere, um filme sobre a América... e é brilhante.
Richard Roud, realizador, Film Society of Lincoln Center


desordem mental e género

Alguns investigadores estão a tentar verificar se o autismo varia com o género. A pesquisa e observação de alguns clínicos que trabalham com raparigas autistas indica que, devido à biologia e à experiência, e à relação entre ambas, o autismo pode expressar-se de modo diferente nas raparigas. Reportagem de Emily Bazelon do NYT.


http://www.nytimes.com/2007/08/05/magazine/05autism-t.html?ex=1344052800&en=de527ee2d217fcd2&ei=5124&partner=permalink&exprod=permalink

4.8.07

«Tudo bem»: Les Arts Sauts



Estreia na segunda-feira, dia 6 de Agosto, às 21h00, o circo aéreo Les Arts Sauts com o seu espectáculo «Ola Kala», que significa 'tudo bem' em grego. A não perder, até dia 26, numa tenda junto ao CCB.

2.8.07

In memoriam III

Esta é uma homenagem a uma das mulheres da minha família, Maria Natália Monteiro Duarte (1926-1998). Irmã do meu pai, tratada familiarmente por Mitá, sempre foi uma inspiração para mim. Nasceu no dia 2 de Agosto. Pertenceu à antiga Comissão da Condição Feminina.

Àquela comissão sucedeu a Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (CIDM), que muito recentemente deu lugar à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Nova mudança de ciclo que motiva um encontro onde se manifestará apreço e gratidão às seniores – digamos, maiores de 60 anos - que lá trabalharam e lhe dedicaram muito do entusiasmo e do tempo da sua vida. Trata-se portanto de uma celebração de amizade e de reconhecimento, feita ao ar livre, com merenda, a acontecer no próximo dia 12, domingo, no Jardim das Oliveiras, Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com início pelas 18h. Acredito que venha a ser uma tarde memorável.