28.2.10

moda e república

A dupla de criadores Storytailors (João Branco e Luís Sanchez) apresenta a sua colecção para o próximo Outono/Inverno dia 3 de Março, na semana da moda de Paris, na Chambre des Huissiers de Paris (17 rue Beaujolais), o que acontece no âmbito do Portugal Fashion International.
Inspiração ou tema-chave deste novo trabalho: Portugal e a instauração da República, no centenário da mesma. Touché. Bravo!

finalmente domingo!


19.2.10

Prevenção da Violência de Género













Encontram-se abertas as candidaturas para a Pós-Graduação «Prevenção da Violência de Género na Escola e na Família», Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade do Porto. O curso começa a 2 de Março e decorre até 17 de Dezembro de 2010.

17.2.10

à volta da joalharia contemporânea


buster keaton

este mês a cinemateca propõe, e bem, buster keaton. o ciclo de curtas dedicado a esse genial actor e realizador do cinema mudo já começou, mas prossegue amanhã, dia 18 (19h00), 22 (19h00) e 25 de Fevereiro (19h00), na Barata Salgueiro, em Lisboa.

14.2.10


paixão

Confundo os teus
olhos
no meio do pranto
como se o mar tivesse
subitamente subido
à tua face

«Paixão», Destino, III, in Maria Teresa Horta, Poesia Reunida, Dom Quixote, Lisboa, 2009.

feliz dia de são valentim


Não posso adiar o amor...

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
não posso adiar este abraço

que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
não posso adiar o coração

António Ramos Rosa
(Faro, 1924)

Escolhido pela escritora Maria Alzira Seixo para a colecção «Os poemas da minha vida» (Público), o poema de ARR surgiu-lhe quando era estudante de liceu e foi nessa altura «como a expressão de muitas coisas importantes: a vida inadiável, a luta contra o tempo, a afirmação da liberdade e do amor, a luta pela justiça. É um grito de humanidade e de superação que guardei sempre comigo».

13.2.10

(e)namoro

As leituras possíveis em dia dedicado ao enamoramento são muitas: aqui ficam três sugestões: poemas de W.H.Auden; Goethe; e uma compilação de receitas para apaixonados/as.
Em baixo, uma conferência na próxima Quinta-feira sobre o amor como conhecimento, do ciclo Música em Contexto, na UNL.

Love as knowledge in Turkish music culture
Martin Stokes (Oxford University)


18 de Fevereiro 18h00
Auditório 2 – 3º andar Torre B
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - UNL
Av. de Berna, 26 - C

12.2.10

voltar a página, sintonizar, há traços no ar

Sobre «José António Tenente - Traços de União» temos várias sintonias possíveis neste sábado: Antena 3, 11h00-13h00, ou TVI 11h15. Jat News informa. Depois das criações de pronto a vestir, várias linhas paralelas, acessórios incluídos, agora que já tem o livro, e o perfume «Amor perfeiro», falta só o filme. Não me importo de fazer o argumento, qualquer coisa entre «caderno de notas sobre roupas e cidades» (o original de Wim Wenders sobre Yohji Yamamoto) e «o abcedário de Gilles Deleuze» (com Claire Parnet, antiga aluna do filósofo e jornalista).
Bom, e depois destas linhas para descontrair, numa semana em que o mundo da moda ficou mais pobre, bom fds.

In memoriam Manuel Salazar

Esta é a minha entrevista a Manuel Salazar feita no dia 29 de Novembro de 2001, enquanto eu preparava o livro sobre a criadora de moda, «Ana Salazar – Uma biografia ilustrada». Esta é também a minha forma de prestar homenagem sentida ao grande homem que estava ao lado de uma grande mulher. No showroom da rua General J. Celestino da Silva falámos sobre o seu papel na etiqueta e na carreira de Ana Salazar. O livro haveria de ser lançado pelas Temas & Debates em 2002.



Qual a função que desempenha na Ana Salazar?
È uma função de gestor, aliás é a continuação da função que sempre tive. Eu nunca fui mais do que um gestor. Podia acompanhar mais de perto a Ana em muitas coisas que estavam para além da minha função, mas esta manteve-se sempre.

Se eu lhe pedisse para fazermos uma visita ao passado, por onde é que o Manuel podia começar a viagem pela marca Ana Salazar?
Exactamente quando a marca começou. A marca Ana Salazar começa um pouco depois do 25 de Abril, não com o nome Ana Salazar, mas sim com o nome Harlow. Nasce de uma necessidade que nós tivémos, face à revolução do 25 de Abril, de nos abastecermos, de sermos autosuficientes. Aí, trabalhamos com a marca Harlow durante uns anos, até praticamente o final dos anos 70. Fomos nessa época um dos maiores importadores de vestuário em Portugal, importávamos mais do que a própria Loja das Meias, e no final dos anos 70, em 1979/80 surge a Ana a fazer as colecções a que se deu o nome de Ana Salazar, dentro do que se estava a fazer na Europa nessa época, onde havia um surgimento de criadores de colecções de autor, e portanto a Ana fez também a sua colecção. E aí começa a Ana Salazar.

A partir de quando é que o seu papel na empresa foi determinante? Começou por ser sócio da Ana?
O meu papel nunca foi determinante no percurso de Ana Salazar. Ele terá maior importância ou influência em determinados períodos. Nos anos 70, aí tenho talvez uma maior intervenção. Porque aí a situação da Ana Salazar era vista mais comercialmente. Estive sempre ao lado da Ana, mas nunca foi determinante a minha intervenção. Procurei sempre ver o que a Ana pretendia, e nesse momento ela pretendia coisas diferentes do nosso início. Eu concordava sempre com elas, e concordei sempre em irmos para a frente, e estava sempre ao lado dela. Mas nunca foi determinante, nem a minha posição influenciou nada que desse resultados diferentes, ou que tivesse interesse para os resultados.
Comecei a trabalhar com a Ana logo de imediato. A Ana pôs uma loja que era a Maça e nós éramos dois sócios com partes iguais. Deixei uma actividade que tinha como gerente de vendas de uma empresa – a ITT, as listas telefónicas dessa época – e profissionalmente comecei a trabalhar com a Ana, a fazer essa gestão, e não fazia mais do que essa gestão.

A função pela qual começou foi a de revendedor?
Essa ideia foi mais desenvolvida por mim, quando se criaram estas instalações aqui [na General J.celestino da Silva], e então criei um corpo de vendas, um corpo comercial. Aí, a Ana pouco intervinha. Ela estava mais ligada ao público, e numa área mais criativa. Nessa época a Ana interessava-se pelo sector mais criativo, o meu era meramente uma acção comercial e técnica, de vendas.
Nós éramos uns grandes importadores, a Ana fazia uma selecção, portanto lá está um aspecto criativo, porque para fazer uma selecção há que ter sensibilidade e ser criativo. A Ana fazia essa selecção e depois vendíamos ao mercado.

Qual a história do projecto da loja de Paris [existente entre 1985 a 1996]?
O projecto tinha uma componente que era a de divulgação, de nos internacionalizarmos. Nessa época era dificil – e hoje ainda o é – uma pessoa internacionalizar-se a partir de Portugal. No mundo da moda Portugal já consta do mapa, mas é um ponto muito pequeno, com pouca influência. Se nós formos ver, no mundo inteiro, há três ou quatro pontos importantes para a moda: Paris, e depois sem ordens de grandeza, é Londres, Milão e Nova Iorque. Tudo o resto também são pontos sem importância. Portanto, foi isso que pensámos e nos levou a fazer essa operação de Paris.

Enquanto projecto de 11 anos, teve os seus momentos altos e baixos...
Teve momentos muito altos, embora tenhamos saído e abandonado Paris; não quer dizer que houve uma falência, ou uma derrota. De maneira nenhuma. Houve pontos altos, que foram muito importantes, tanto no estrangeiro como em Portugal. Nós ao irmos para Paris ganhámos imenso com isso, foi uma experiência brutal, mesmo comercialmente. Nós tivémos imensos clientes no estrangeiro, que a maioria deles correu muitíssimo bem. Depois não continuámos em Paris, porque o esforço para lá estar é enorme, porque a atitude de estar em Paris é totalmente diferente de Portugal. Mesmo aqui, para se estar nesta actividade já há que ter atenção, já há que ter assessores de imprensa, estar em congjgação com a imprensa, lidar com ela. Em Paris, isso é determinante para se estar bem colocado e para isso é preciso muito dinheiro, mesmo muito dinheiro.

Quais são os seus momentos altos na participação da carreira de Ana Salazar?
Eu penso que posso ter ajudado a Ana bastante quando iniciámos esta actividade, nos anos 70, talvez depois na situação de ter sempre acarinhado e ajudado nos primeiros desfiles, de promoção, aí intervinha como ajudante. Talvez também na situação de Paris, embora ela não tenha resultado bem, no seu final o seu resultado é muito, muito positivo. Eu tive uma certa influência na ida para lá. Nós fomos sempre acarinhados, embora o contacto com a imprensa seja sempre mais difícil do que em Portugal. Mas mesmo em França nós tinhamos contactos muito acarinhados, a Ana tinha grandes amizades. Temos alguns desfiles que foram muito importantes, pela forma como fomos recebidos e transmitidos pela imprensa. Sempre tivémos notícias, não como um Jean Paul Gaultier ou um John Galliano, mas sempre tivémos notícias. Fizémos feiras muito importantes, com o John Galliano, o Helmut Lang, em que eles estiveram ao nosso lado, ali estavam a começar connosco em Paris. Esses momentos eu recordo-os com bastante nitidez, essas feiras que nós fizémos ao lado de nomes que depois foram muito importantes.

Onde nasceu e de onde é a sua família – será ela de Santa Comba Dão ? (risos)
Não, não é. Não temos nada a ver. Eu nasci em Lisboa. A minha família (paterna e materna, de regiões próximas) é das Beiras, da Lousã, de uma região que se chama Alvares, uma zona interior a 40 ou 50 Km da Lousã. Há muitos anos que não visito essa região, mas ía lá em miúdo. A minha mãe morreu tinha eu 10 ou 11 anos, o meu pai casou segunda vez com uma senhora de Sapins, uma terra já muita próxima da Lousã. Nasci em S.Sebastião da Pedreira, em 1938.

E esteve cinco anos na tropa. Porquê?
Na época em que eu fiz a tropa, em 1958, as pessoas eram mobilizadas de uma forma geral para o Ultramar. Houve algumas pessoas que não sendo mobilizadas, que eram as pessoas casadas, faziam uma compensação: trabalhavam metade no exército regular e depois de uma forma geral faziam mais dois anos – eu fiz um pouco mais porque estava na polícia judiciária militar, e fiz dois anos de trabalho regular de quartel e depois mais dois anos e qualquer coisa na polícia judiciária militar – em que estive um tempo na fábrica militar Braço de Prata e outro tempo no quartel-general, na própria polícia; não cheguei a estar na tropa cinco anos, mas quatro anos e meio.

Como foi o seu encontro com a Ana?
Estamos a falar de um tempo em que não havia discotecas, a vida nocturna era completamente diferente, havia as festas particulares, e as festas ao fim de semana, uma espécie de uns chás-dançantes, que no momento até se estão a retomar. Eram uns bailes na Casa dos Açores, na Casa da Madeira. Eu organizava bailes desse tipo, alugava essa salas e depois vendíamos umas entradas. Conheci a Ana numa dessas situações. Porque não havia nada, qualquer pessoa ía a esse tipo de festas; eram festas de fim de semana, à tarde, ou à noite, aos sábados ou aos domingos. Penso que conheci a Ana num Sábado, numa dessas festas, na Casa dos Açores, na Rua Castilho. Depois só a voltei a ver passado um ano, e aí é que começámos o namoro.

Eram festas de sensação?
Eram festas da época, especialmente umas que eu organizava numa zona que se chamava “9ºandar”, num prédio da Fidelidade, Praceta das Águas Livres; tem um terrraço enorme que a companhia de seguros Fidelidade alugava. Fiz lá algumas festas, a que a Ana foi algumas vezes.

Conviveu com os pais dela? Como era Oskar Pinto Lobo [pintor e arquitecto]?
Sim, muito, até ele morrer. Era uma pessoa extraordinária, com uma sensabilidade muito apurada, aliás como a Ana. São muito parecidos, até em atitudes, modos de falar. Era uma pessoa de quem eu gostava muito.
Convivi também com a mãe [Ema], mas conheci ambos já separados. Ela era uma pessoa lindíssima, uma pessoa muito boa, diferente do pai, mas também com muita sensibilidade.

Cristina L. Duarte

11.2.10

Alexander McQueen



Acabam de me dizer que a BBC está a noticiar que morreu Alexander McQueen. Arrepiei-me. Ele era um daqueles génios-criadores que está para a história da moda como outros que o antecederam e que lhe sobrevivem, mas era único. Dele fixei certa vez esta citação: «Eu não sigo as tendências. Crio-as». RIP Alexander McQueen.

10.2.10

«Contrastes»



Luiz Avellar trio, com Yuri Daniel e Alexandre Frazão, a 27.10.2009

3.2.10

Um olhar para as mulheres da (nossa) história (II)


A agenda feminista 2010 tem edição de Faces de Eva Estudos Sobre a Mulher e UMAR.
Fotografia da capa: Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, por altura do II Congresso Feminista e da Educação em 1928 (cedida por ICS – AHS). A fotografia foi publicada na revista Civilização, em Julho de 1930, e foi reproduzida em SILVA, Regina Tavares da, Feminismo em Portugal na voz de mulheres escritoras do início do século XX, Cadernos da Condição Feminina , Lisboa, 1982.
No primeiro plano: D. Maria Leonarda Correia da Costa, Dr.ª Isaura Seixas Marques, Dr.ª Tetralda Teixeira de Lemos (advogada), D. Maria do Céu Branquinho, D. Sara Beirão (escritora) e D. Rosa Pereira.
No segundo plano: D. Maria O'Neill (escritora), D. Angélica Porto (vice-presidente), Professora Beatriz de Magalhães e Dr.ª Adelaide Cabete (médica, presidente do CNMP).
No terceiro plano: D. Fábia Ochôa, D. Luz Campos Santos, Madame Zoé Pereira, D. Mariana Assunção Silva, Dr.ª Elina Guimarães (advogada, vice-presidente CNMP), Professora Maria Luísa Amaro, Professora Deolinda Lopes Vieira, D. Cipriana Nogueira e D. Fernanda Pimentel.

Um olhar para as mulheres da (nossa) história

Em semana de arranque das comemorações do centenário da República é boa altura para lançar um olhar sobre a história das mulheres em Portugal. Para além dos Estudos sobre as mulheres (cursos de mestrado na Universidade Aberta e na Universidade Nova de Lisboa/FCSH), e dos Estudos Feministas (Universidade de Coimbra), há que procurar valorizar aquilo que temos/somos e isso faz-se ao nível da memória histórica, também dos estudos de género, da sociologia, e da literatura, dos direitos humanos, bem como ao nível das variadas expressões artísticas, e do seu relevo ao longo do século XX. As mulheres da (nossa) história - muitas vezes cada uma per si entregue a uma revolução muito particular, não deixando por isso de contribuir decisivamente para a revolução colectiva, como foi o caso daquela de 5 de Outubro de 1910 - é o enfoque que quero aqui deixar para as próximas semanas (senão meses...), apresentando obras que vão ao encontro do futuro, essa nesga de tempo que insiste em fugir à nossa frente.