31.3.10

Maria

As jovens ginastas estão de parabéns! Maria Costa (Ritmica, Algés e Dafundo) à direita, 3ºlugar em Corda, e 1º lugar em Bola, em baixo (e ainda 2º em Arco). Tudo neste fim de semana, no 1ºTigra (1º Torneio Internacional de Ginástica Rítmica de Almada).


30.3.10

LAB de laboratorial (II)

aforestdesign por Sara Lamúrias, «I Am a Strange Loop», no MUDE até amanhã. Ver entrevista com Sara a 15.03.2010. Fotografia João Bacelar/Arquivo ModaLisboa.







29.3.10

Para uma estação de trabalho fotográfico (II)










Fotografia de Carlos Didelet. Em cima, Adriana Camilleri, uma das retratadas de Rita Carmo, em «Retratos de Pessoas Comuns II». A exposição Workstation permanece até dia 31 no MUDE, na Rua Augusta, em Lisboa.

Para uma estação de trabalho fotográfico


Workstation congregou à volta da 34ªModalisboa a heterogeneidade e o génio de seis fotógrafos no espaço do MUDE, na Rua Augusta. Ao trio de Isabel Zuzarte Guedes, José Fernandes e Rita Carmo, já presentes na edição anterior da ModaLisboa Estoril Fashion Force, em Cascais, juntaram-se Gonçalo Borges Dias, Matilde Travassos e Vasco Neves. Seis visões de proximidade, seis perspectivas de autor, para uma exposição inventiva e interventiva que permanecerá em exibição no MUDE até ao dia 31 de Março.

Fotografia de Rita Carmo.

uma estreia na modalisboa (II)

Ricardo Andrez, Plataforma Lab, 34ªModaLisboa, Outono/Inverno 2010/11 [Ver entrevista a 14.03.2010]. Fotografia Rui Vasco/Arquivo ModaLisboa.

28.3.10

Jogos de identidade (II)

V!TOR, «Macedonian Identity», Outono/Inverno 2010/11, Plataforma Lab, 34ªModalisboa [Ver entrevista a Vitor Bastos, a 17.3.2010]. Fotografia Rui Vasco/Arquivo ModaLisboa.

27.3.10

dia mundial do TEATRO

4ªAmostra de Teatro de Alverca, Companhia Inestética, «Maiko Express», 21h30.

«Mulher Mundo», Teatro Viriato, Viseu, 21h30.

26.3.10

Lara (II)

Involuntary Memories Effacing Series é um projecto desenvolvido pela criadora Lara Torres enquanto bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian no mestrado em «Artefacto de Moda», no London College of Fashion, sob a orientação de Dai Rees. A sua apresentação na 34ªedição ModaLisboa, MUDE (patente até 31 de Março) é constituída por uma peça em cera e por uma peça vídeo. Fotografia: Matilde Travassos.

21.3.10

dia mundial da poesia

não há como o presente
que se quer e sente

um presente que te dou
na forma do que sou

presente


Cristina L. Duarte

20.3.10

Pierre et les femmes



O sociólogo Pierre Bourdieu (1930-2002), numa entrevista sobre os valores femininos.

19.3.10

José


Desvanecimento (in)voluntário

O que fazemos nós sem roupa? Nada. Quem somos nós sem ela? Esta e muitas outras perguntas podem ser feitas frente à instalação que Lara Torres (n. Lisboa, 6.05.1977) levou à 34ªModalisboa - e que continua até dia 31 de Março no MUDE -, utilizando um modo expositivo diferente do que é habitual nesta criadora, mas que ‘veste’ muito bem a interrogação que nos quer deixar. Uma peça video e uma peça em cera representam a vida de uma camisa, desde que é vestida até que desaparece.

Cristina L.Duarte: Auto-biografia desta exposição apresentada na ModaLisboa, no Mude, a decorrer até dia 31 de Março.
Lara Torres: trata-se de uma instalação que entra no contínuo da minha pesquisa sobre a relação entre vestuário e memória [início: 2005] e no qual abordo um material que é novo dentro da pesquisa, a cera. Para mim faz imenso sentido, pois tem a ver com a perda. Tem a ver com o lado do esquecimento, uma questão que ainda não tinha abordado, excepto na minha primeira colecção («Memória implícita»/Verão 2006), e entretanto interessou-me recuperar essa intensidade nesse trabalho. Aqui nesta instalação procuro recuperar essa relação com a perda através da cera, e da sua capacidade em nos remeter para a ideia de mortalidade. Esta é a primeira experiência de um projecto chamado «Involuntary Memories Effacing Series».

Pensas a moda como intervenção social/colectiva, ou como intervenção individual?
LT – É um pouco as duas coisas. Acho que é fortíssimo o envolvimento das pessoas com a peça. A primeira questão que surge: não é uma colecção, é um vídeo. Depois as pessoas questionam-se porquê e isso fá-las pensar. Isso tem sido sempre uma prioridade do meu trabalho. Esta foi uma das vezes em que fui mais afirmativa em conseguir cumprir com essa interrogação, por parte do espectador.

Pensas no tema da igualdade de género aplicado à moda?
LT – Sim. Definitivamente, pela questão da identidade. Porque a moda é identidade.

O vestuário 'fala'? E se fala o que é que diz?
LT – Penso que o vestuário, qualquer peça que seja, fala sempre. Diz alguma coisa do que tu és. É aquilo que estabelece a relação com os outros. O meu [vestuário] fala desta ideia de se perder alguma coisa. Porque acho que se está a perder uma relação com o vestuário que era muito forte nesta criação da identidade, com esta ideia de multiplicação de lojas que vendem uma série de coisas todas iguais, em todo o mundo. Acho que há uma perda muito grande em relação à identidade.

Feminilidade – dá-me um sinónimo...
LT – Doçura.

Masculinidade...
LT – Força.

Desejo...
LT – Mulher...

Quando partes para uma colecção, partes de onde?
LT – Começo pela pesquisa. Não tenho um ponto de partida apenas. Depende do que está à minha volta naquela altura. Às vezes o que me estimula é um livro que estou a ler, outras é uma coisa qualquer que acontece, outras uma exposição de um artista que eu vi.
Ou então um acumular dessas coisas. Por vezes a minha vida pessoal entra pelo trabalho a dentro e isso também mexe com ele.

Pensas em alguém quando estás a desenhar - pensas num corpo?
LT - Não. Penso que o corpo está sempre presente, mesmo o trabalho que fiz agora, em que o corpo é bastante ausente, há sempre a presença de um corpo, na medida em que quando tens o vestuário, este remete sempre para um corpo. Por isso, há sempre o fantasma de um corpo na representação de uma camisa, por exemplo. Não penso num corpo específico, mas penso no corpo.

Onde está a força da moda em Portugal?
LT – No coração.

17.3.10

Jogos de identidade

V!TOR é uma outra forma de escrever Víctor Bastos (n. 1984, S.Paulo). Poderia ser também uma nova fórmula laboratorial: ‘vector’ de intervenção = acção de moda. O jovem designer que estudou no Citex, no Porto, apresentou a sua colecção na plataforma LAB da ModaLisboa, no passado domingo, no MUDE. A cidade das mulheres foi aos bastidores falar com ele.

Cristina L.Duarte: Auto-biografia desta colecção apresentada na ModaLisboa, no Mude. Se ela fosse uma pessoa como descreverias a colecção «Macedonian identity»?
Vítor Bastos: a coleccção começou na anterior, portanto é um antagonismo falar da Macedónia depois de ter falado da Grécia. A colecção segue de uma forma muito insegura, porque lida com muita informação diferente. A identidade através da não-identidade foi o ponto máximo que tentei alcançar com esta colecção, usando o cartão, cinco ou seis diferentes tipos de lã, padrões, camadas, cores – do laranja ao azul. Há muitas ideias opostas. A autobiografia da colecção seria um bocadinho lunática, como uma pessoa que não sabe quem é e quer se afirmar como algo.

Pensas a moda como intervenção social/colectiva, ou como intervenção individual?
VB – É uma intervenção social e colectiva pela visibilidade que tem. Ao passar muita informação há muitas falhas; acontece às vezes no LAB, por isso fizémos o jornal, por causa da falha na comunicação. Há imprensa que liga mais ao texto, outra liga mais à imagem, e o público pode pender mais para um lado ou para outro. O trabalho é individualista: começo com um objectivo, mas é um projecto social e colectivo, de forma que ao conseguir passar a informação, esta vai ser sempre passada para a frente, mesmo boca a boca. Foi uma experiência que eu vivi e passei para uma série de pessoas. [Vítor Bastos foi à Macedónia no ano passado representar Portugal no âmbito da Mostra Jovens Criadores, promovido pelo Clube Português de Artes e Ideias]. Tenho um ponto de vista, mas não quero ser interventivo quanto ao meu ponto de vista. Por isso falei da Grécia e depois da Macedónia. Não quero impôr opinião, mas sim informação, porque isso tem de se impôr mesmo. E a partir dessa informação e com as pessoas a falar sobre esse assunto, vou abrir o leque para raciocínio e é isso que me interessa.

Pensas no tema da igualdade de género aplicado à moda?
VB – Sim. Faço a colecção 50% - 50%. A minha ideia é dividir a colecção ao meio e obter uma roupa sem sexo. A roupa flutua de um lado [género] para o outro. Porque a roupa tem mais informação para além dessa. Metade desta colecção apresentada aqui, apresentei-a em Berlim, na Fashion Week, com uma instalação, em Janeiro passado. Depois ela terá outra construção no livro que vou publicar. Quando a pessoa comprar uma peça da colecção, terá outra identidade. O sexo da roupa é só mais um pormenor.

Feminilidade – dá-me um sinónimo...
VB - ... associado ao feminino, é só um acerto.
Masculinidade...
VB - ... acerto.

Desejo...
VB - Vontade.

Quando partes para uma colecção, partes de onde?
VB – Do conceito e da ideia. Mas primeiro, das experiências de vida. E das conversas de café.

Pensas em alguém quando estás a desenhar?
VB - Não. Penso muito na forma da peça. Mas não tenho divas.

Qual é para ti a força da moda em Portugal?
VB – A moda em Portugal tem força mas acho que, de momento, está a ser castrada pela forma em que é veiculada. Sinto um pouco isso. A moda aqui tem muita força. Eu fui para fora e vi a moda acontecer e o nível daqui é muito alto. Não há sequer a noção própria deste nível. Há problemas de comunicação de moda. Comunicar a moda é mesmo uma situação frágil.

15.3.10

LAB de laboratorial

Desde de que o MUDE está na Rua Augusta, os candeeiros da sala onde foi apresentada a sua video-instalação acenderam-se pela primeira vez. E isso aconteceu para Sara Lamúrias. Ela faz parte da Plataforma Lab (plataforma de acolhimento de novas linguagens de design de moda), tendo apresentado o seu trabalho no passado sábado 13 de Março, na 34ªedição da Modalisboa. Para a autora de aforestdesign quando se produz trabalho este vive nas outras pessoas de maneira(s) diferente(s). A sua vídeo-instalação pode ser vista em Lisboa, no MUDE, até 31 de Março.

Cristina L. Duarte: Auto-biografia desta colecção Outono/Inverno 2010/2011 - se fosse uma pessoa, como descreverias a colecção?
Sara Lamúrias: Esta colecção é autobiográfica. Nela está a minha relação com o trabalho. É por isso muito «eu». Fui à procura das razões porque trabalho com vestuário [aforestdesign chegou à Modalisboa na sua edição 24, Outono/Inverno 2005/2006. Ver in Cristina L.Duarte, Moda Portuguesa, CTT, Lisboa, 2005].
Estou a criar para alguém e esse alguém dá-me um feed-back de utilização das peças e de percepção. Por isso elas têm duas formas de vestir.

E tu tens duas formas de vestir?
SL - Eu sou um pouco isso também. Tenho esta ambivalência. O meu trabalho é sempre muito do fundo e nesta colecção assumi que o meu trabalho vem do meu fundo. Foi quase como assumir esta... essência.

Gostas de ginástica?
SL - Adoro. Eu quis ser ginasta. No vídeo, ela é a Raquel Narciso (ex-ginasta), e ele é André Lico, campeão do mundo de duplo mini-trampolim. Foi um privilégio tê-los aqui.

Qual o título deste trabalho?
SL - «I Am A Strange Loop». Retirei-o do livro de Douglas Hofstadter. Encontrei-o e interessei-me por ele.
Tem a ver com a comunicação, que sai de nós, e depois volta. Estava a fazer pesquisa e passei também pela Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll, aquela história dos flamingos que são chapéus de chuva, os pássaros que são pares de óculos. Acho que isto tem a ver comigo, com aquilo que eu faço. E por isso fui dar ao Hofstadter, que faz um cruzamento de ideias entre um matemático, um artista, o Escher, e um músico, o Bach, e isto de um ponto de vista filosófico. É através da filosofia que tenho encontrado este meu «eu».

Pensas a moda como intervenção social/colectiva, ou como intervenção individual?
SL – Tenho usado a moda nesse sentido colectivo, nomeadamente através do projecto Combo, em que vou ao encontro do comércio tradicional.

Pensas no tema da igualdade de género aplicado à moda?
SL – Sim, desde o início do meu trabalho.

Pensas que o vestuário fala e se fala o que é que diz?
SL - Diz muita coisa. Se for num contexto mais empresarial, diz uma coisa; se for num contexto mais informal, diz outra. Até a forma como se coloca um cachecol. Ou como o casaco fica na pessoa. Os designers estão muito atentos a isso, à forma como as pessoas habitam a roupa.

Feminilidade – dá-me um sinónimo...
SL – Intensidade.

Masculinidade...
SL – Assertividade.

Desejo...
SL - Paixão.

Por onde começas uma colecção?
SL – Não tenho uma regra. Parto de uma ideia. Às vezes é um elemento chave, que faz um clique. Nesta colecção foi o encontro com o livro de Douglas Hofstadter. A primeira coisa que fiz foi escrever o texo da colecção, fiz um diálogo comigo própria.

Quando partes para uma colecção pensas no corpo de alguém?
SL – Sim, sempre. Num corpo de homem e num corpo de mulher.

14.3.10

uma estreia na modalisboa




Ricardo Andrez, n. Porto (29.4.1980) apresentou a sua colecção ontem na plataforma LAB da modalisboa, no Museu da Moda e do Design MUDE. Foi uma estreia em Lisboa. Formou-se no Porto, na cooperativa Árvore, depois frequentou o Citex, não terminando o curso de Design de Moda. Não fez estágios com ninguém. Está por ele. É um promissor criador de moda.

Cristina L.Duarte: Podes fazer a auto-biografia desta colecção? Se ela fosse uma pessoa como a descreverias?
Ricardo Andrez: energética, dissimulada, e arrojada, endo que é uma colecção de homem, é arrojada.

Pensas a moda como intervenção social/colectiva, ou como intervenção individual?
RA – No início, eu tinha de me afirmar, de fazer isto. Agora tenho de pensar num aspecto social e analisar por onde quero ir, pois as pessoas agora estão mais focadas em mim. Apesar de querer continuar a fazer aquilo que me apetece, e que eu sinta, isso é o mais importante.

Pensas no tema da igualdade de género aplicado à moda?
RA – A minha roupa não tem sexo. Faço a roupa e depois o corpo atribui-lhe a identidade; óbvio que uma peça de homem tem uma relação diferente com o corpo, relativamente à de senhora. Mas o modelo pode ser exactamente igual, o material também.

Utilizas nesta colecção as molas dos cintos de ligas, para ligar partes do vestuário, mas terá outro significado?
RA - Pego nessa vertente mais andrógina e no trabalho de detalhes, e também de efeito inesperado, como prender uma sweatshirt básica, dupla, carregada de filas de peças de ligas.
Acabaste por jogar com elementos associados às mulheres, e ainda com outros tradicionalmente associados a brincadeiras infantis de rapazes e que são os berlindes [utilizados como adorno]: o mundo gira à volta dos berlindes e preso a ligas (risos)...?
RA – Eu tenho uma overdose de berlindes. Ando sempre com eles para trás e para frente. E também tento acrescentar algo com os materiais, de uma forma que não seja usual transformar em roupa.

Pensas que o vestuário fala e se fala o que é que diz?
RA - Fala. Sou eu.

Feminilidade – dá-me um sinónimo...
RA - Pureza.

Masculinidade...
RA - Pureza.

Desejo...
RA - Cor de rosa.

Por onde começas uma colecção?
RA – Pelo conceito. E pela pesquisa. O ponto de partida são as pessoas que andam à minha volta.

Qual é para ti a força da moda em Portugal?
RA - Não sei. Acho que as pessoas não dão muito valor à roupa e à forma como se apresentam. A nível dos homens penso que há um gosto mais refinado. As mulheres têm mil e uma funções a mais... e têm muito mais escolha...
Mas a força da moda em Portugal deveria estar nos industriais.

11.3.10

Angelina Vidal n.11 Março 1847

Foi feito hoje ao meio-dia o plantio de um carvalho no Jardim Botânico da Ajuda, uma homenagem da UMAR a Angelina Vidal (1847-1917) uma republicana e socialista que defendeu os direitos das mulheres trabalhadoras. Esteve presente o bisneto de Angelina, Campos Vidal, que lançará em breve um livro sobre a sua bisavó.
Filha de um músico de nomeada herdou do pai as atitudes desassombradas, o desafio das convenções. O próprio marido, médico da Armada Real, não aceita o seu comportamento temerário: é uma das primeiras mulheres a discursar ao lado dos grandes nomes da República: os seus discursos, em 1880, no Porto, em dois comícios republicanos, ficaram célebres - assumiu-se como livre pensadora e contra o regime monárquico.
Mãe de cinco filhos, separou-se do marido, ao fim de doze anos de casamento Para ganhar a vida, desdobra-se a trabalhar: foi tradutora, contista, ensaísta, professora, conferencista, poetisa, dramaturga e jornalista. Nos últimos 30 anos da Monarquia, escreveu em quase todos os jornais revolucionários. O que disse, o que escreveu, acarretaram-lhe retaliações por parte do Governo monárquico, que lhe recusou a pensão por morte do marido em 1894 alegando que era «inimiga das instituições e andava a combater o regime monárquico». Não será também, a República, a instituir-lhe a pensão. Não era amada pelos políticos seus companheiros de ideário; militante do Partido Republicano federalista, adepta dum ideário republicano de raiz socializante e anti clericalista, critica, nos jornais, os jogos da política, as querelas entre facções do mesmo quadrante, o empolamento no Parlamento de questões secundárias em detrimento dos grandes problemas nacionais. Dois anos após a implantação da Republica, Angelina Vidal, desiludida com o caminho que a República levava, chama a atenção para a emigração assustadora, a decadência da indústria e do comércio, a miséria do proletariado, a paralisação de todas as forças vivas do país.
Também nos jornalistas fez inimigos: para ela os jornais eram a instrução do povo e como tal deviam promover as boas práticas políticas e transmitir aos trabalhadores a consciência dos seus direitos e deveres, em vez de explorarem os escândalos domésticos, os faits divers, que destruíam a moral.
Angelina Vidal ocupa um lugar proeminente entre as pioneiras que defenderam a educação para a mulher como plataforma para a igualdade. Nesse âmbito, chama a atenção para as deficientes condições de trabalho em que vive a operária que não pode criar os filhos de modo a fazer deles os cidadãos de que o país necessita, enquanto nação civilizada. Ganham tão miseravelmente, que, «por muito virtuosa que seja a mãe de família, há-de forçosamente baquear nos charcos da prostituição.»
[1]
Denuncia as condições de insalubridade em que vivem as operárias de manhã `a noite, nas fábricas algodoeiras: «uma atmosfera carregada de irritante poeira do cotão algodoeiro», que lhe entra pelo nariz até se fixar nos pulmões onde numa primeira fase provoca «Inflamação pulmonar», e, meses depois, «vem as seccuras da boca, e a tosse, guarda avançada da tuberculisação. O que lhe afrouxa a actividade productora e diminue o salário…
[2].
Mais aflitiva ainda é a descrição que faz das fábricas fosforeiras, onde o calvário da operária começa «pelas perturbações angustiosas do aparelho gástrico. O roteiro da destruição é sabido: cephalalgias violentas, necrose phosphorica, destruindo-lhes as maxilas. Em alguns cazos affecçoes cerebraes, em grande numero a tuberculose pulmunar, com fortíssimos acessos de tosse, cava, sinistra, secca como o martello do desespero pregando as taboas de um caixão».
[3]
Ao mesmo tempo que denuncia a exploração de que são vítimas, por parte dos patrões, critica-lhes a falta de sindicalização, a que chama «a sua repelência pelos princípios de confraternização que dá aos exploradores a garantia de enriquecerem».
[4]
Defendeu um ideal de justiça social e repudiava o poder arbitrário, fosse de que côr política fosse : admirava o Marquês de Pombal, mas condenou as penas que considerava cruéis aplicadas a alguns dos intervenientes no Motim dos Taberneiros (reacção popular à criação da Companhia das Vinhas do Alto Douro), ou à marquesa de Távora (ainda que esta representasse uma classe particularmente odiada por ela) e ao padre Malagrida (apesar da aversão aos jesuítas). Condenou o duplo assassinato de D.Carlos e D. Luís Filipe, no jornal católico “Portugal”, do padre José Lourenço de Matos, que fez violentas campanhas contra os republicanos.
Esteve ao lado dos que fizeram a Republica, arriscando segurança e família. Perdeu tudo uma segunda vez quando se empenhou na defesa do operariado e dos direitos das mulheres operárias e trabalhadoras.
Intransigentemente fiel a um ideal de justiça, igualdade e fraternidade, zangou-se com todos os que pactuavam com meias medidas e soluções parciais.
E tal como aqueles que defendia, morreu na miséria em 1917.
Com o recuo do tempo, podemos tornar nossa, a afirmação do seu bisneto, o Engº Campos Vidal. uma mulher «fácil de admirar, difícil de amar». De acordo com as investigações feitas por este, Angelina terá nascido a 11 de Março de 1847, seis anos antes do que é comummente afirmado e até foi baptizada na igreja paroquial de são José em 1849, quatro anos antes de 1853, o ano que é referido como sendo o do seu nascimento. Mas isso fica para a leitura da biografia que vai sair ainda este mês. Diz o Eng. Campos Vidal, que a estudou ao pormenor, anos a fio, que «Angelina Vidal é uma mulher fácil de admirar, difícil de amar».

Maria Augusta Seixas
9-3-2010

1A voz do operário, 24 /9/1882
2 Angelina Vidal, Alma Feminina, nº 6, 13/6/1906
3 idem
4 Angelina Vidal, «Crise operária na Fabrica das Barreiras», A Voz do Operário, 9/11/1884.

10.3.10

A nossa Angelina

A UMAR presta homenagem a ANGELINA VIDAL, amanhã, pelas 12h00, no Jardim Botânico da Ajuda, dia do nascimento de Angelina Vidal (11 de Março de 1847).
UMÁRvore é uma iniciativa que vai levar ao plantio de um carvalho no Jardim Botânico da Ajuda, junto ao portão que fica na Calçada da Ajuda, como forma de homenagem a uma feminista republicana e socialista que defendeu os direitos das mulheres trabalhadoras.

O D(n)A da moda














OUTONO/INVERNO 2010/11


QUINTA-FEIRA, DIA 11
19H30 ALEXANDRA MOURA
20H30 RICARDO PRETO
22H00 ALVES / GONÇALVES
SEXTA-FEIRA, DIA 12
19H30 LUÍS BUCHINHO
20H30 KATTY XIOMARA
22H00 ANA SALAZAR
SÁBADO, DIA 13
15H00 AFORESTDESIGN – LAB.EXPOSIÇÃO MUDE
15H00 LARA TORRES – LAB.EXPOSIÇÃO MUDE
15H30 RICARDO ANDREZ - LAB MUDE
16H30 ALEKSANDAR PROTIC
17H30 MIGUEL VIEIRA
18H30 PEDRO PEDRO
19H30 SALSA
20H30 NUNO BALTAZAR
DOMINGO, DIA 14
15H00 WHITE TENT – LAB MUDE
15H30 VÍTOR – LAB MUDE
16H30 FILIPE FAÍSCA
17H30 NUNO GAMA
18H30 T.M. COLLECTION
19H30 RICARDO DOURADO
20H30 DINO ALVES
21H30 MENTAL BY SHUNNOZ & TEKASALA
Local 1 Páteo da Galé Terreiro do Paço
Local 2 MUDE - Museu do Design e da Moda (Rua Augusta)

Reinventar lideranças

Amanhã, pelas 18 horas, vai realizar-se no auditório 1 da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) o lançamento do livro "Reinventando Lideranças: Género Educação e Poder", coordenado por Eunice Macedo e Marijke de Koning. A apresentação do livro estará a cargo de Luiza Cortesão e de Isabel Menezes.
Organizada pela área "Cidadanias, Diversidades e Conhecimento Histórico" (CDCH) do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da FPCEUP, a sessão contará com a presença das coordenadoras da obra e das autoras Laura Fonseca e Maria José Magalhães. Estará também presente Helena Costa Araújo - autora no livro, representante do CIIE e coordenadora da área CDCH.
A edição é da Fundação Cuidar o Futuro e da Livpsic, e conta com o apoio do CIIE através do núcleo Cidadanias, Género e Infância no Campo da Educação.

9.3.10

Conferência Faces de Eva


No próximo dia 11 de Março, às 18h00 terá lugar em Lisboa uma Conferência intitulada A Imperatriz Teresa Cristina 1822-1889, apresentada pela Professora Lúcia Guimarães no Auditório 01, da Torre A da FCSH/UNL (Av.Berna 26).
Lúcia Maria Paschoal Guimarães é Professora Titular de Teoria da História e Historiografia, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e coordenadora do Grupo de Pesquisa “Ideias, Cultura e Política na Formação da Nacionalidade Brasileira”, bem como do Laboratório “Redes de Poder e Relações Culturais”.

karnart regressa aos palcos


ESCRAVO DOUTROS.II é um espectáculo em que o actor LUÍS CASTRO é dirigido em unidades de 15 minutos de duração por seis profissionais de Dança: OLGA RORIZ, MADALENA VICTORINO, CLÁUDIA GALHÓS, FILIPA FRANCISCO, RAFAEL ALVAREZ e a dupla ANA BORRALHO & JOÃO GALANTE. Os convidados serão responsáveis pela criação das partes e Luís Castro pela respectiva integração no todo.
Tendo em conta as especificidades de trabalho dos criadores convidados e o conceito de perfinst em investigação na KARNART, prevê-se um espectáculo variado em que a momentos de instalação se aliam situações de dança, filme, teatro e performance.
Este projecto vem dar continuidade a um outro apresentado em 2005 no qual Luís Castro foi dirigido por Amélia Bentes, Gil Mendo, Mark Deputter, Miguel Pereira, Sílvia Real e Vera Mantero: ESCRAVO DOUTROS.
O espectáculo estará em cena até 20 de Março pelas 22h na Galeria Monumental, Campo Mártires da Pátria Nº 101, em Lisboa. Os bilhetes são entre €10,00 e €15,00 e as reservas deverão ser feitas para reservas@karnart.org.

8.3.10

as mulheres, a guerra e o meu avô


No dia em que a primeira mulher cineasta foi premiada com um Oscar pela Academia de Hollywood fico a pensar «porquê só agora». Faço disto uma afirmação mais do que interrogação. O estado de coisas trouxe-nos até aqui. Para o mudar é preciso mais do que introduzir uma peça de vestuário no nosso guarda-roupa de seis em seis meses. É uma coisa mais profunda. A desigualdade de género é como a chuva... permanece... permanece. Nas artes e na cultura a desigualdade funciona como noutro âmbito qualquer, a subtileza é a mesma. O que é um facto é que em 2010 há uma mulher cineasta que ganha um Oscar, não por estar à frente das câmaras, sendo dirigida, mas atrás delas, dirigindo. É curioso que Kathryn Bigelow tenha ganho o Oscar com um filme sobre guerra, e portanto sobre um mundo masculino, onde já há militares mulheres, mas poucas. Portanto, um filme realista, também sobre hiearquias masculinas. Esta temática da guerra fez-me pensar no meu avô, que participou na I Grande Guerra. Fica aqui a minha homenagem a ele (em fotografia, acima). E claro, bato a pala à Kathryn, por este feito - Estado de Guerra Oscar para Melhor Filme, e mais cinco estatuetas, incluindo a de Melhor Realizador(a). Talvez isto me convença a ir vê-lo numa sala próxima de mim.
Agora, uma coisa é certa: continuo a ser pela paz e desmilitarização, um dos eixos da 3ªacção global da Marcha Mundial das Mulheres.

género e política


«cinema em marcha»

No âmbito da 3ª Acção Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, o Grupo de Apoio às Mulheres Imigrantes (GAMI), promove o ciclo “Cinema em Marcha”, procurando promover o debate sobre a situação das mulheres imigrantes e das trabalhadoras domésticas. Neste sentido foram seleccionados dois filmes que serão apresentados na Casa da Achada, em Lisboa: “Pão e Rosas”, de Ken Loach, um retrato dos Estados Unidos ilustrado através da luta pelos direitos laborais de duas imigrantes mexicanas, mas numa alusão histórica sugestiva à marcha realizada por cerca de 15 mil mulheres, na Nova Iorque de 1908; “Domésticas”, de Fernando Meireles e Nando Olival, um retrato da realidade do trabalho doméstico no Brasil, os sonhos de cinco trabalhadoras domésticas brasileiras. Duas histórias, duas geografias diferentes, mas dois pontos de partida importantes para o debate e empoderamento das protagonistas desta iniciativa: as mulheres imigrantes.

11 e 12 de Março Casa da Achada – Centro Mário Dionísio
Rua da Achada, Nº 11 (Perto das Escadinhas de São Cristóvão – R. Madalena)
Metro: Martim Moniz, Baixa - Chiado ou Terreiro do Paço

Pão e Rosas, de Ken Loach, 2000
Quinta-feira, 11 de Março, 18h

Com Pilar Padilla, Adrien Brody, Elpidia Carrillo, Jack McGee, Mónica Rivas, Frankie Davila, e Lilian Hurst.

Maya e Rosa são duas irmãs mexicanas que vivem em Los Angeles, onde trabalham como empregadas de limpeza num prédio comercial. Sam é um activista pelos direitos d@s trabalhadoras/es. As suas vidas se cruzam, e junt@s lutam contra a exploração laboral das imigrantes, o que acaba pondo em risco o emprego, a família e até mesmo o direito de permanência das moças em território estado-unidense.O título do filme faz alusão à marcha de cerca de 15 mil mulheres pelas ruas de Nova Iorque, em 1908, sob o slogan Pão e Rosas: reclamavam uma diminuição dos horários de trabalho, melhores salários e direito de voto.

Prémio UIP ao Melhor Filme Europeu no Festival do Rio de Janeiro; Nomeação à Palma de Ouro ao Melhor Realizador no Festival de Cannes, Prémio ALMA à melhor actriz secundária para Elpidia Carrillo.

Domésticas, de Fernando Meireles e Nando Olival, 2001
Sexta- feira, 12 de Março, 18h

Com Cláudia Missura, Graziela Moretto, Lena Roque, Olivia Araújo, Renata Melo, Robson Nunes, e Tiago Moraes.

Na sociedade brasileira existe um Brasil notado por poucos. Um Brasil formado por pessoas que, apesar de morar dentro das casas das famílias e de fazer parte do seu dia-a-dia, é como se não estivessem lá. Cinco das integrantes deste Brasil são mostradas em "Domésticas - O Filme": Cida, Roxane, Quitéria, Raimunda e Créo. Uma quer se casar, a outra é casada mas sonha com um marido melhor. Uma sonha em ser artista de novela e outra acredita que tem por missão na Terra servir a Deus e à sua patroa. Todas têm sonhos distintos mas vivem a mesma realidade: trabalhar como empregada doméstica.

Nomeações ao Grande Prémio Cinema Brasil nas categorias de Melhor Realizador e Melhor Argumento.

“Um drama urbano que deu a Fernando Meirelles background para, mais tarde, realizar Cidade de Deus” (Alexandre Koball).

O GAMI é um grupo trabalho de mulheres imigrantes dinamizado pela
União de Mulheres Alternativa e Resposta e a Solidariedade Imigrante e visa combater a desvalorização social do trabalho doméstico, contribuir para a reformulação da actual legislação, aumentando a protecção legal e social destas/es trabalhadoras/es, e promover o empoderamento das mulheres imigrantes que trabalham nesta área.

A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista internacional de luta contra a pobreza e a violência. Propõe a construção de um outro mundo baseado nos valores da Igualdade, Liberdade, Solidariedade, Justiça e Paz. Em 2010 a Marcha organiza a sua terceira grande acção internacional, com uma plataforma de quatro campos de actuação: Paz e Desmilitarização, Bem Comum e Serviços Públicos, Autonomia Económica das Mulheres e Violência de Género.

dia interncional da mulher

Jovens saem hoje à rua em Lisboa para celebrar conquistas e assinalar as desigualdades que ainda nos afectam: violência no namoro, saúde sexual e reprodutiva, acesso ao primeiro emprego, desigualdade salarial, participação cívica e política.
Até às 10h00, entre o Largo do Camões e a Baixa Lisboeta, jovens do projecto dMpM2 – De Mulher para Mulher - um projecto de empowerment para a participação cívica e política de jovens mulheres em Portugal -estiveram a distribuir um jornal de sua autoria, crachás alusivos ao Dia Internacional das Mulheres e mobilizar a população em geral para a Igualdade, Paridade e Acção!
Das 10h30 às 13h00h, em frente à Esplanada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, no Campo Pequeno, Avenida de Berna, uma outra acção visa a mobilização e envolvimento de estudantes nas questões da Igualdade.
Iniciativa promovida pela Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens em parceria com a Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa e com a colaboração de Anália Torres, Presidente da Associação Europeia de Sociologia e João Esteves, autor da obra Mulheres e Republicanismo, no âmbito do jornal.

5.3.10

Marcha Mundial das Mulheres 2010

Em 2010, a Marcha Mundial das Mulheres reafirma a sua utopia na construção de um mundo melhor baseado na paz, na justiça, na igualdade, na liberdade e solidariedade. Este ano as mulheres em marcha convidam toda a gente a participar, a debater e a exigir o bem comum e os serviços públicos como direito básico e fundamental, o fim da violência contra as mulheres, a autonomia económica das mulheres e a paz e a desmilitarização. «Não queremos nem guerra que nos mate, nem paz que nos oprima. Até que todas sejamos livres».
Em Portugal, a programação da Marcha Mundial das Mulheres é construída colectivamente por várias organizações e pessoas, inclui acções de rua, marchas, oficinas, ciclos de cinema, debates, construções colectivas, palestras, partilha de testemunhos, um pouco por todo o país.

3ª Acção Internacional
Programa Marcha Mundial das Mulheres - PORTUGAL
4 a 27 de Março de 2010
Dia 4 – Quinta I 21h30 I Centro de Cidadania Activa – SETÚBAL
Filme “O Sal da Terra”, realizador Herbert J. Biberman, 1954, seguido de debate Ciclo de Cinema integrado no Março Mulher 2010, iniciativa promovida pela SEIES em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal e diversas entidades da cidade de Setúbal.
Dia 5 – Sexta I 16h 30m Khapaz Associação Cultural – ARRENTELA (SEIXAL)
Filme “Dou-te os meus Olhos” seguido de debate . Actividade integrada na iniciativa Bibliotecas Vivas do Projecto Comun"Nik"acção, da
Khapaz Associação Cultural, financiado pelo Programa Escolhas, abordando o tema da Violência Doméstica. Apoio da UMAR.
Dia 6 – Sábado 1h – 13h Cine Teatro S. Pedro – São Pedro do Sul
Debate de rádio “Igualdade entre Homens e Mulheres: sem igualdade entre homens e mulheres há verdadeiro desenvolvimento?” Iniciativa da responsabilidade da ADRL.
Dia 7 – Domingo I 18h00 I Bar Mama Rosa – SETÚBAL
Filme “Pescadoras da Terra e do Mar”, grande reportagem de Teresa Nóbrega sobre as Mulheres Pescadoras dos Açores. Ciclo de Cinema integrado no Março Mulher 2010, iniciativa promovida pela SEIES em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal e diversas entidades da cidade de Setúbal.
Dia 8 – Segunda I Das 17h30 às 19h30 I Rossio - LISBOA
Arranque da 3ª Acção Internacional da MMM
Acção de rua com as Marchantes, distribuição de folhetos da Marcha Mundial das Mulheres e sensibilização para as reivindicações em torno dos 4 Eixos.
Animação Musical com a presença de Hip Hop de Baton, Bloco de Maracatu – Casa do Brasil de Lisboa, Coro da Casa da Achada, Grupo de Percussão do GAIA e Batucadeiras do Moinho da Juventude. Iniciativa da MMM Portugal.
Dia 9 – Terça Todo o dia Região de LAFÕES
Visita a diversas iniciativas de mulheres seguida de conferência de imprensa, ao final da tarde. Visita por parte da ADRL à Cooperativa “Ventosa Artesanal”, “Estação de Artes e Sabores” e Brinton’s. O objectivo é dar a conhecer a MMM e ouvir as mulheres sobre as questões da
igualdade no que toca ao trabalho, conciliação da vida pessoal e profissional, tarefas domésticas, etc. .
Dia 10 – Quarta 18h30 Centro Social "Bem Querer" Brenha, Figueira da Foz
Apresentação da MMM e construção colectiva da saia da Marchante
20h30 - Jantar Comemorativo do Dia Internacional da Mulher.
Iniciativa da responsabilidade da MMM - Coimbra com Centro Social Bem Querer de Brenha
Dia 11 – Quinta 18h Casa da Achada – Centro Mário Dionísio LISBOA
Filme “Pão e Rosas”, realizador Ken Loach, 2000, seguido de debate Ciclo de Cinema dedicado às trabalhadoras do Serviço Doméstico e das Limpezas, iniciativa do GAMI - Grupo de Apoio às Mulheres Imigrantes (parceria Solidariedade Imigrante e UMAR).
Dia 11 – Quinta I 21h30 I Academia Problemática e Obscura – SETUBAL
Filme “Domésticas”, realizador Fernando Meirelles e Nando Olival, 2001, seguido de debate. Ciclo de Cinema integrado no Março Mulher 2010, iniciativa promovida pela SEIES em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal e diversas entidades da cidade de Setúbal.
Dia 12 – Sexta 18h Casa da Achada – Centro Mário Dionísio LISBOA
Filme “Domésticas”, realizador Fernando Meirelles e Nando Olival, 2001, seguido de debate. Ciclo de Cinema dedicado às trabalhadoras do Serviço Doméstico e das Limpezas, iniciativa do GAMI - Grupo de Apoio às Mulheres Imigrantes (parceria Solidariedade Imigrante e
UMAR).
(cont.)

Mulheres na Primeira República (II)

Desenvolvida por Faces de Eva Estudos sobre a mulher, República & Republicanas é uma visita aos arquivos da memória em formato digital, sobre as mulheres na I República, tema que vai levar o grupo de investigação do CESNOVA (FCSH/UNL) à Câmara Municipal de Lagos, para uma série de conferências aos sábados (6 e 20 de Março, e em Abril), pelas 17h30. Ao mesmo tempo, República & Republicanas a ser editado em breve pelas Faces de Eva em CD-ROM terá uma projecção simultânea em Setúbal, no Museu do Trabalho, por ocasião de uma sessão do programa Bibliotecas pela Igualdade de Género, da UMAR. Em Lagos estarão presentes Zília Osório de Castro («Antecedentes do Feminismo Republicano») e Ilda Figueredo («As mulheres vão ao teatro») e em Setúbal estará Isabel Lousada («As mulheres e a República»).
No Museu do Trabalho Michel Giacometti, a conferência do “Março Mulher” 2010 (programa organizado pela SEIES – Sociedade de Estudos e Intervenção em Engenharia Social, em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal) vai revelar um olhar pelos antecedentes da revolução, no período de transição entre a Monarquia e a República, sob o ponto de vista feminino, uma das vertentes a abordar no encontro, que conta ainda com uma retrospectiva histórica dos percursos e caminhos retratados pelas e para as mulheres na República. A iniciativa cultural é acompanhada por uma sessão de pintura ao vivo pela pintora Pólvora d’ Cruz.

4.3.10

Lusofonia(s)

Sexta e sábado realiza-se o Seminário Lusófono Que fazer com estas memórias?, no CES-Lisboa, Picoas Plaza. O Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia, da Universidade de Coimbra, leva assim a cabo na capital o seguinte programa:

Sexta-feira, 5 de Março
9:30 – 10:30

Porquê um Seminário Lusófono sobre Tortura e Memória?
José Manuel Pureza, Representante do Centro de Estudos Sociais – Lisboa
Raimundo Narciso, Presidente da Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória
Cecilia Coimbra*, Representante do Movimento Tortura Nunca Mais (Brasil)
Catarina Vaz Pinto*, Vereadora da Cultura da CML
10:30 - 12:00

Projecção do filme “48”, de Susana Sousa Dias
12:00 – 12:30

Comentário pelo Dr. Afonso Albuquerque (Médico psiquiatra, autor de um livro sobre o impacto da tortura sobre presos políticos portugueses)
12:30 – 13:30

Debate sobre o filme, com a presença da realizadora Susana Sousa Dias
15:00 – 16:30
Projecção do filme “Memória para uso diário”, de Beth Formaggini
16:30 – 17:30

Comentário pelo Dr. Carlos Martin Beristain (Médico especialista em Saúde Mental, Universidade de Deusto, Bilbao) e por Alípio de Freitas (português, preso e torturado no Brasil.)
17:30 – 18:30

Debate sobre o filme, com a presença da realizadora

Sábado, 6 de Março
10:00 – 11:30

Projecção do filme “ Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta”, de Diana Andringa
11:30 – 12:00

Comentário por Miguel Cardina, historiador, investigador do CES e Victor Barros, investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20).
12:00 – 13:00

Debate sobre o filme, com a presença da realizadora
13:00 – 13:30

Como fazer da memória partilhada da tortura uma alavanca pela defesa da Cooperação e dos Direitos Humanos?
Secretário Executivo da CPLP, Eng. Domingos Simões Pereira*.

* A confirmar

2.3.10

8 de Março de 2010

Por que razão continuamos a comemorar, ano após ano, o 8 de Março?
Não alcançaram já as mulheres todos os seus direitos? Não existem mulheres nas mais diversas profissões? Não são as jovens mais bem sucedidas na escola do que os rapazes?
Estas são algumas das perguntas que continuam a bailar na cabeça de muitas pessoas pouco atreitas a estes dias especiais que se criam anualmente.
Contudo, não olhemos para a superfície das coisas, não olhemos apenas para a pele que até pode estar em bom estado. Olhemos, para aquilo que se passa dentro das casas, nos empregos, nas escolas e por esse mundo fora.
Se assim for, depressa descobrimos que a violência contra as mulheres é um flagelo social. Que todos os anos morrem às mãos dos maridos, companheiros, ex-companheiros, namorados dezenas de mulheres em Portugal. Damos conta que, em média, as mulheres continuam a ganhar menos do que os homens. Verificamos que, nas escolas a tão apregoada igualdade entre rapazes e raparigas, não é bem assim , pois a violência no namoro começa a ter visibilidade. Nos empregos, o assédio moral e sexual atinge principalmente as mulheres. As penalizações laborais em função da maternidade continuam a existir, apesar das leis o proibirem. A almejada paternidade, por parte dos homens, não é bem vista por muitas entidades patronais.
Continuamos a verificar que o poder político é ainda muito cinzento, de fato e gravata. Tem pouca cor. Tem poucas mulheres. Continuamos a ver que no mundo há mulheres que são apedrejadas até à morte por terem tido um relacionamento fora do casamento. Existem milhares de jovens raparigas que são mutiladas sexualmente e que são forçadas a casamentos precoces.
Afinal, este ainda não é bem o mundo da justiça e do equilíbrio de poderes entre mulheres e homens. E, enquanto assim for, vale a pena falar do dia internacional das mulheres. Não apenas para se lhes oferecer uma flor nesse dia, mas para lembrar que elas têm de ser tratadas com igualdade de direitos.
A UMAR vai este ano, pela terceira vez, integrar a grande mobilização a nível internacional com as mulheres da Marcha Mundial das Mulheres. Em Lisboa, no Rossio, a partir das 17h 30m do 8 de Março, no arranque das acções e iniciativas que vão ocorrer ao longo de todo o ano de 2010 e que fazem parte da 3ª Acção Global desta rede feminista internacional.


UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta