29.4.11

Entrelaçados ;)

As mulheres ainda querem ser princesas?
Não! mas como a sociedade acha que esse papel tem de continuar a ser desempenhado pelas mulheres – só assim se explica, por um lado, a pergunta, por outro que se continue a veicular imagens/produtos/discursos que continuam a prolongar o mito da princesa.

É um papel que apela ainda ao imaginário feminino?
Ao meu imaginário não. Ao das demais mulheres, não sei. Temos de esperar por uma investigação científica sobre esse tópico, que pode ser matéria para os Estudos sobre Género ou para os Estudos Feministas. Não sei mesmo se o imaginário feminino não é normalmente ignorado, não sendo fácil conhecer a sua expressão, nem o seu desejo. De qualquer forma, este é um problema de «género», entendendo este como a construção social e cultural do que é ser mulher e do que é ser homem. E, recorrentemente, a propósito deste assunto, é aludida a famosa frase de Simone Beauvoir, «não se nasce mulher, torna-se mulher», do seu livro «O segundo sexo», que embora tenha sido lançado no longínquo ano de 1949, continua muito actual.

Esse papel, afinal qual é?
Boa pergunta. Não há como ir ao fundo da questão. Primeiro, penso que é o papel da clausura: presa numa imagem que é redentora para a sociedade, essa mulher-princesa, no seu pedestal social, é alvo de uma atenção por parte da sociedade envolvente, atenção essa que não receberia de outro modo, ou por outras vias.

A mulher-princesa é a mulher que quer ser salva?
Apetece-me perguntar antes, ‘salva de quê?’ ;)

É uma mulher que aceita um ‘apagamento’?
Se apagamento aqui está a ser utilizado no sentido de opacidade social, a resposta é sim.

Ou pelo contrário as actuais princesas já não são assim ou já não projectam essa imagem, e são mulheres ditas modernas?
De que falamos, quando falamos de princesas? De família real. De transmissão cultural. De ficção quotidiana. De contos de fada. E só em último lugar, de mulheres e de cidadania. Porque, e vou citar a escritora Virginia Woolf, «Na realidade, como mulher, não tenho país. Como mulher não o desejo. Como mulher o meu país é o mundo».

Que impacto têm estas narrativas de princesas e princípes na formação das mentalidades?
Todo, desde que se transmita 'ad eternum'.

Reforçam imagens pré-concebidas sobre o papel das mulheres e dos homens?
Sim, mas com reservas. Porque todo o trabalho levado a cabo pelas feministas para desmontar os estereótipos e activar os direitos das mulheres – e refiro-me aqui às vagas do feminismo no séc.XX, até ao tempo em que elas lutavam pela instrução, e pelo voto – tem efeitos que nos tornam sujeitos da história.

Respostas escritas por Cristina L. Duarte, a perguntas de Ana Clotilde Correia (Lusa).

26.4.11

In memoriam Poly Styrene (II)

identity is the crisis can't you see
identity identity
when you look in the mirror
do you see yourself
do you see yourself
on the t.v. sreen
do you see yourself in the magazine
when you see yourself
does it make you scream
when you look in the mirror
do you smash it quick
do you take the glass
and slash your wrists
did you do it for fame
did you do it in a fit
did you do it before
you read about it.

X-Ray Spex, «Identity», 1978

In memoriam Poly Styrene





Poly Styrene, X-Ray Spex, «Oh Bondage Up Yours».

frida f(e)rida




Na galeria Monumental, de quarta a domingo, 22h, até 8 de Maio. Luís Castro, Mónica Garcez e Vel Z, da KARNART, e Maria Helena Serôdio, Claudia Galhós e Sara Carinhas vão estar na Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa, para sessão de partilha, aprofundamento e conversa com o público, sobre o conceito de PERFINST, com moderação da actriz e autora Isabel Medina. Entrada livre.

24.4.11

nas vésperas da revolução... antes de o ser




Ilustração Portuguesa, 24 de Abril de 1911

22.4.11

p á s c o a ................ feliz

"até nos tempos mais sombrios temos o direito de esperar ver al­guma luz, e é bem possível que essa luz não venha tanto das teorias e dos con­ceitos, como da chama incerta, vacilante, e muitas vezes ténue, que alguns ho­mens e mulheres conseguem alimentar em quase todas as circunstâncias e pro­jectar em todo o tempo que lhes foi dado viver neste mundo [...]”


(Arendt, Homens em tempos sombrios: 9-10).

21.4.11

RIP Zé Leonel

morreu um punk chamado zé leonel. RIP.

18.4.11

Parabéns Teresa


Em a g e n d a





















Hoje tem início um ciclo de filmes da antropologia visual na FCSH/UNL, na avenida de berna, 26C, auditório 1, Torre B (até 20).

Hoje é também Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e o tema que este ano domina a programação é «Água, Cultura e Património».

Entretanto, é já amanhã, às 19h, que a rubrica «Abrir os Cofres» da Cinemateca Portuguesa propõe uma reflexão sobre a representação do papel das mulheres no Estado Novo. O programa da sessão reúne quatro curtas-metragens documentais da colecção da Cinemateca, com apresentação da historiadora Irene Flunser Pimentel.

MANIFESTAÇÃO DAS MULHERES PORTUGUESAS A SALAZAR

de António Veríssimo, 1959 – 9'


AS MULHERES E O TRABALHO

de Fernando Garcia, 1962 – 15'


ASPECTOS DA ACTIVIDADE DA OBRA DAS MÃES PELA EDUCAÇÃO NACIONAL, 1965 (?) – 12'


RAPARIGAS DE HOJE: MULHERES DE AMANHÃ, 1970 – 36'

14.4.11

h o j e (II)

Faço crochet o crochet faz-me e nisto me desato
Adília Lopes, «Charles D'Orléans», Os 5 Livros de Versos Salvaram o Tio (1991), Dobra Poesia Reunida (1983-2007), Assírio & Alvim, 2009.


Pelas seis da tarde na Casa Fernando Pessoa há bíblia & poesia e uma mesa-redonda com os poetas Adília Lopes, Armando Silva Carvalho, Mário Avelar, Pedro Braga Falcão, e o moderador José Tolentino Mendonça.

h o j e



10.4.11

A semana



Na terça-feira, dia 12 de Abril, o ciclo de cinema «Cáceres Contemporânea» apresenta pelas 18h30 no Auditório I do Instituto de Cervantes em Lisboa Un novio para Yasmina (2008), da realizadora Irene Cardona Bacas. Neste instituto há ainda na quinta-feira Diálogos poéticos ibéricos, com Basilio Sanchez e Eduardo Pitta, pelas 18h30. À mesma hora, mas na FCSH/UNL, edíficio ID, há conferência Faces de Eva, com Maria do Mar Pereira: «Dentro ou fora das fronteiras do conhecimento? o estatuto dos estudos sobre as mulheres e de género em Portugal».



Também a catorze inaugura a exposição «9» da artista coreana Koo Jeong A. no CAM da FCG, e a exposição de Manuel San Payo, «Árvore das quintas», na Galeria Monumental, pelas 19h00, em Lisboa.


Repõe dia 16 na galeria monumental (até 8 de Maio, de quarta a sábado, pelas 22h00) a obra «Frida Frida», um espectáculo/perfinst da Karnart com direcção, conceito e instalação de Luís Castro, a partir de uma ideia de Mónica Garcez.

No dia 19 de Abril, pelas 19h00, a rubrica «Abrir os cofres» da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema trata a representação do papel das mulheres no Estado Novo, projectando quatro curtas-metragens documentais: Manifestação das mulheres portuguesas a Salazar (1959), de António Veríssimo, As mulheres e o trabalho (1962), de Fernando Garcia, Aspectos da actividade da obra das mães pela educação (1965 aproximadamente ) e Raparigas de hoje: mulheres de amanhã (1970). A sessão será apresentada pela historiadora Irene Flunser Pimentel.

Neste dia 19, na Biblioteca-Museu República e Resistência, no Rego, em Lisboa, há «Manifestações de regozijo e de resistência», pelas 18h30, por Maria Lúcia de Brito Moura, com moderação de Natividade Monteiro, num ciclo de conferências comemorativo do centenário da República intitulado A lei da separação e a laicização do Estado.

5.4.11

agenda da semana



Ciclo de Tertúlias Entre nós e o mundo, dia 7 de Abril, no Teatro Extremo, 22h00.



Seminário de Leitura Avançada - Linha Temática PERMOB: «Anthropology and Psychology», por Christina Toren (Univ.St.Andrews), dia 8 de abril, pelas 11h00, na Sala Polivalente do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Ciclo de seminários do CES, «Entre consensos e controvérsias: debates sobre a violência doméstica» - a decorrer desde dia 4 até 18 de Abril, no Centro de Estudos Sociais, em Coimbra, na Sala de seminários (2º piso).

A violência doméstica exercida sobre mulheres permanece uma realidade preocupante nas diferentes sociedades, sendo alvo de diversas políticas de prevenção e combate e potenciando uma constante reflexão, teórica e ancorada no terreno, entre aqueles/as que com ela lidam diariamente. O I Ciclo de seminários Entre consensos e controvérsias: debates sobre a violência doméstica pretende dar um contributo para essa reflexão, identificando áreas ausentes e emergentes no âmbito da violência contra as mulheres e potenciando o diálogo entre a academia e os/as profissionais que diariamente lidam com esta forma particularmente cruel de violência.

3.4.11

Azáfama









«Terça-feira... é feira da ladra...» diz a canção (de Sérgio Godinho). É bem verdade que é só para início de conversa, mas no dia 5 há uma série de coisas interessantes a acontecer em Lisboa (o que fará no resto do país). Para a cidade das mulheres a tarde é passada na mesa redonda «Em torno de gente comum - uma história na PIDE, mulheres, memórias e resistência», às 16h00, na FCSH/UNL, no edíficio ID, Av. Berna 26.

À mesma hora, acontece na Sala Polivalente do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, «The Darker Side of "We"? How Common Identity Can Improve Social Attitudes But Inhibit Social Change», uma conferência por John Dovidio (Yale University).

Depois, pelas 18 horas a editora Imagens&Letras fará o lançamento do livro Memórias de Maria Veleda, com introdução e notas de Natividade Monteiro e com apresentação de Anne Cova, na Biblioteca Museu República e Resistência (Rua Alberto de Sousa, 10A - Zona B do Rego).


Nas comemorações do Centenário da República, a publicação das “Memórias de Maria Veleda” constitui uma homenagem à sua autora, escritora brilhante e sensível, conferencista das mais insignes, republicana coerente, feminista entusiasta que, pelo seu perfil e percurso singular, marcou o movimento de emancipação feminina e a época em que viveu. As “Memórias de Maria Veleda” testemunham como ela e as companheiras participaram e influiram no rumo dos acontecimentos, ao lado dos chefes republicanos que as incentivaram a lutar pela República e as convenceram de que a causa da democracia era a causa do feminismo e que as reivindicações feministas seriam satisfeitas logo que eles chegassem ao poder. A República trouxe-lhes algumas vitó­rias e muitas desilusões mas os ideais e os valores que as nortearam permanecem vivos e constituem um património de memória histórica que é preciso valorizar e preservar.





















Há ainda «Poesia monumental», na GALERIA MONUMENTAL, pelas 19h00.

À mesma hora na Casa Fernando Pessoa Lídia Jorge dará uma conferência sobre a obra «Orlando» de Virginia Woolf.

1.4.11

fim de semana em campanha


Dia 2/4, Sábado

10h Contacto desta campanha da UMAR com a população no Mercado de Sapadores (instalação da banca para distribuição de comunicados e preenchimento dos questionários)

13h Almoço

15h Workshop "Fazer cenas contra o Assédio Sexual" no Bacalhoeiro, com participação limitada

18h Acção performativa de rua "Guia para Andar Afirmativo" no Largo de S. Domingos, no Rossio

19h Jantar na Casa do Alentejo

20h30 Filme e Mesa redonda sobre assédio sexual no trabalho, na Casa do Alentejo e com os sindicalistas: Albertina Pena, Francisco Alves e, a confirmar, António Avelãs

23h30 Acção performativa de rua "Claiming the Night” no Bairro Alto, Largo do Camões

Dia 3/4, Domingo

10h00 Contacto com a população na Marginal, em Oeiras (instalação da banca para distribuição de comunicados e preenchimento dos questionários)

13h00 Almoço no INATEL