10.3.08

O estigma da transparência

Decorre hoje às 19h00 na livraria Byblos, mais uma sessão «As palavras têm género?» dedicada à semana do dia internacional da mulher (no sábado passado). A convidada hoje é Maria João Cabrita que apresentará «Simone de Beauvoir: o estigma da transparência».
O centenário do nascimento de Simone de Beauvoir (9 Janeiro de 1908) motiva esta revisitação ao seu percurso bio-bibliográfico: «um trajecto construído à imagem do existencialismo, em ruptura com os padrões sociais e morais coevos e que reflecte, sobretudo, o fardo da responsabilidade.» Maria João Cabrita é doutorada em História das Ideias Políticas (FCSH/UNL) e membro do Seminário Livre de História das Ideias e do Centro de História da Cultura. Entre outros ensaios, publicou «Com os olhos postos no mundo: a vigília de Susan Sontag (1933-2004)» (in Faces de Eva, nº 14, 2005, pp. 21-39), «A Ideia de Justiça em Antero de Quental» (Íman, 2002) e «Hannah Arendt: O Mundo da Pluralidade e a Banalidade do Mal» (in Faces de Eva, nº6, 2001, pp. 27-40).

Rota histórica

A Rota dos Feminismos vai ficar para a história. Os ecos que chegam à cidade das mulheres relatam como esta volta a Portugal em três dias foi bem sucedida. Para já, este video mostra a passagem por Coimbra, naquele dia 8 de Março, em que manifestação era a palavra de ordem: 100 mil professores em Lisboa, na rua, é um número muito impressivo, e deve querer dizer qualquer coisa, pelo menos que não há diálogo entre o ministério da educação e os professores. Claro, isto só para abreviar. Mas da rota, a caminho do Congresso Feminista 2008 - a 26, 27 e 28 de Junho próximo - ficam as imagens e um relato de bordo em Cusquices de gajas.

9.3.08

modalisboa - dia IV



A 30ª edição da Modalisboa termina hoje no casino estoril. O dia começa com o filme da fotógrafa Annie Leibovitz, «Life through a lens», e termina com o «Cascais moda». Durante a semana a cidade das mulheres irá seleccionar algumas das colecções desta maratona de moda, onde estão presentes 21 criadores, com etiquetas individuais ou colectivas.

8.3.08

modalisboa - dia III



As mulheres da modalisboa hoje são Ana Salazar, e Lidija Kolovrat (17h00). O dia de desfiles desta passerelle montada nesta 30ªedição, no Casino Estoril, começa entretanto às 14h00 com José António Tenente, «Add-Up» de Osvaldo Martins, Aleksandar Protich, Pedro Mourão, Luís Buchinho e Miguel Vieira (22h30). A sessão de cinema no auditório do casino, com entrada livre, é dedicada ao filme «Lagerfeld Confidential».

dia internacional da mulher

Hoje as acções são muitas: as professoras e professores estão numa manifestação que vai ficar para a história. Não são contra a avaliação dos professores, são é contra a política de avaliação.

«Nem mais uma!» é uma acção da Marcha Mundial das Mulheres (coordenação portuguesa) com vista a consciencializar a população para a dimensão da violência doméstica em Portugal. Serão distribuídos folhetos e braçadeiras em Lisboa, entre as 14 e as 17h, no cruzamento Rua 1º de Dezembro com a Rua do Carmo, e em Coimbra , pelas 14h, numa arruada inserida na Rota dos Feminismos, com partida na Igreja de Sta. Cruz e chegada na ponte Pedro e Inês.
A Rota dos Feminismos, uma iniciativa do Congresso Feminista 2008, prossegue entretanto a sua volta a Portugal: Vouzela, Viseu, Coimbra, Santarém, Évora.
«Na política as mulheres são capazes» é um livro com uma nova edição lançado esta manhã no Palácio Foz, pela CIG (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género), seguido de um painel de oradoras sobre «as mulheres e a tomada de decisão política», com moderação de Elza Pais.
A Amnistia Internacional, o Grupo Local 3 - Paço de Arcos apresentam às 17h00
«As Mulheres do Darfur», na Biblioteca Operária Oeirense, uma exposição de fotografia, e sessão vídeo sobre o Darfur, com a participação também do Cramol, e do Grupo Coral Nova Esperança da Comunidade Terraços da Ponte.
«As palavras têm género? » dá o título à iniciativa da livraria Byblos, em Lisboa, que concebeu uma semana Temática à volta do Dia Internacional da Mulher: hoje, pelas 16h00, Contos Contados - Homenagem a Maria Keil, A Árvore que dava Olhos» - João Paulo Cotrim (texto), Maria Keil (ilustrações); 18h30 - Debate «As palavras têm género?» por Lídia Jorge e Francisco José Viegas, moderação de Isabel Lucas.
Hoje ainda, pelas 19h30, a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ) vai realizar um jantar de festa e comemoração dos seus 20 anos, com actuação do Grupo Coral Feminino «Cantares do Xarrama». Em 1988 um pequeno grupo de Mulheres Juristas decidiu conjugar os seus esforços e vontades para criar uma Associação que lutasse pelos Direitos Humanos das Mulheres.
No contexto desta semana temática sobre as mulheres, ontem, na livraria da Assembleia da República, a Associação Abril, lançou a obra Uma flor por Maria de Lourdes Pintasilgo, em homenagem à nossa única primeira-ministra, e também candidata à Presidência da República.
Mulheres que escrevem, mulheres que lêem é ainda o livro que vai ser lançado dia 14, 18h30, pela 101 noites (Fnac do Chiado).

7.3.08

«Nem mais uma!»

A Marcha Mundial das Mulheres desenvolve actualmente uma Campanha de sensibilização contra a violência exercida sobre as mulheres, cuja palavra de ordem é esta: “Nem mais uma!”
A 8 de Março – Dia Internacional da Mulher – sairemos à rua para gritar “NEM MAIS UMA!”, distribuiremos folhetos e braçadeiras, com vista a consciencializar a população para a dimensão da violência doméstica em Portugal. Esta acção irá realizar-se simultaneamente em Lisboa (14-17h: cruzamento rua 1º de Dezembro com rua do Carmo) e em Coimbra (14h: arruada inserida na Rota dos Feminismos, com partida na Igreja de Sta. Cruz e chegada na ponte Pedro e Inês).
Com esta campanha procuramos reafirmar a nossa solidariedade com as mulheres portuguesas, e as mulheres de todo o mundo, que continuam a sofrer todo o tipo de violência – assédio sexual, violência doméstica, violação, tráfico, mutilação genital feminina, etc. – e vêem os seus direitos fundamentais recorrentemente atropelados.

Com esta campanha procuramos denunciar a ineficácia do sistema jurídico, a insuficiência de recursos e a consequente desprotecção daquelas que fogem das suas próprias casas, como única forma de escapar à violência dos seus parceiros.

Não podemos mais silenciar ou tolerar esta situação no nosso país. Exigimos que personalidades com visibilidade e responsabilidade política tenham intervenções no sentido de reforçar os direitos das mulheres e de sensibilizar a sociedade portuguesa para a violência contra as mulheres em geral e contra a violência doméstica em particular.

Exigimos que se tomem medidas concretas para uma efectiva segurança das mulheres, e suas crianças, vítimas de violência doméstica. Exigimos uma avaliação do impacto das alterações aos Códigos Penal e Processual que retiraram às polícias e ao Ministério Público o seu papel contentor do agressor, desprotegendo mulheres e crianças.

Exigimos que as mulheres vítimas de violência doméstica deixem de ser refugiadas no seu próprio país. Sair de casa, abandonar emprego e escola, abandonar as suas comunidades e cortar os laços afectivos não pode ser a única forma de proteger as vítimas do agressor.

Apelamos a que usem, sempre que uma mulher for assassinada pelo seu (ex-) parceiro, a braçadeira concebida pela Marcha Mundial de Mulheres durante um dia, em sinal de denúncia pública. Porque a violência contra as mulheres é uma forma de opressão grave, com sérias repercussões para toda a sociedade, queremos pôr fim a isto!

No passado dia 22 de Fevereiro – Dia Europeu da Vítima – a Marcha Mundial de Mulheres enviou uma carta ao Presidente da República, ao Primeiro Ministro, ao Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, à Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, ao Procurador-Geral da República e aos grupos parlamentares apelando-as/os a usar da sua visibilidade política e mediática para sensibilizar a sociedade portuguesa para a violência contra as mulheres em geral, em particular a violência doméstica.

(Comunicado de imprensa da Coordenação Portuguesa da Marcha Mundial das Mulheres)
Associação ILGA-Portugal
E-mail:
ilga-portugal@ilga.org; Website: www.ilga-portugal.pt;
AJP – Acção para a Justiça e Paz
E-mail: ajp@ajpaz.org.pt; Website: ww.ajpaz.org.pt
AMCV – Associação de Mulheres Contra a Violência
E-mail:
sede@amcv.org.pt; Website: www.amcv.org.pt
UMAR – União Mulheres Alternativa e Resposta
E-mail:
umar.sede@sapo.pt; Website: www.umarfeminismos.org


modalisboa - dia II


As mulheres do dia II da ModaLisboa Outono/Inverno 08/09 são Katty Xiomara (19h00) e Alexandra Moura (21h00) - Casino Estoril, sala de desfiles. Às 21h30, o filme Frankie (França, 2006), de Fabienne Berthaud, no Auditório, sessão aberta ao público.
Quanto ao dia de ontem foi dominado pelos quatro cavaleiros do apocalipse da moda Dino Alves (excelente Dino!, sempre criando dentro de uma memória colectiva e de acordo com uma direcção muito pessoal no trabalho da costura e do estilismo, para homem e para mulher), Ricardo Dourado (o promissor designer de Cabeceiras de Basto, excelente no trabalho da forma, muito modelar nesta colecção de mulher, desconstruindo a ideia de «uniforme colegial», com muitas e renovadas camisas brancas e novas abordagens ao padrão xadrez), Pedro Pedro (um óptimo trabalho a solo - depois da dupla Pedro Waterland -, muito casual e modernista, com peças quentinhas e muito apetecíveis, denotando um grande trabalho de golas, em blusões e casacos, com reminiscências nos Sessentas, e com muitos abafos e gorros, para além de umas botas muito altas que cairam nas boas graças «in the house»), e Filipe Faísca (uma colecção de mulher, com aposta na convergência masculino-feminino, mas com um atenção especial à coqueteria anos 60 e à silhueta hippie dos 70). Esta edição da Modalisboa tem cenografia do atelier P-06.

6.3.08

«Rota dos feminismos»

A Rota dos Feminismos, uma iniciativa do Congresso Feminista 2008, vai partir sexta-feira, dia 7, percorrendo Portugal até dia 9 de Março. Inscreva-se! Ou vá ao encontro da Rota!

Dia 7 de Março
Porto (Praça junto aos correios)
Melgaço (Câmara Municipal)
Caminha (Largo Pêro Vaz de Caminha)
Viana do Castelo (Praça da República)
Braga (Biblioteca da Universidade do Minho)
Famalicão (Central de camionagem)
Porto (Pç. D.João I)

Dia 8 de Março
Porto (Praça junto aos correios)
Vouzela

Viseu
Coimbra (Parque verde)
Santarém (Praça do municipio)
Évora


Dia 9 de Março
Beja
Serpa (Centro de formação da rota do Guadiana)
S. brás de alportel
Setúbal

30 razões para acompanhar a modalisboa


Começa hoje a Modalisboa, o calendário de desfiles por excelência da moda portuguesa. A Cidade das Mulheres vai lá estar - no Casino Estoril - e ao longo da próxima semana aqui dará do que mais a motivou. Para já, são 30 as razões para se continuar cúmplice da moda de autor feita em Portugal:

Quinta, 6 de Março, a partir das 18h30, o filme Portugal OFFashion, com conceito da artista plástica Joana Vasconcelos e realização de Joana da Cunha Ferreira e Cláudia Varejão;

19h00 - Dino Alves
20h00 - Ricardo Dourado

21h00 - Pedro Pedro
22h30 - Filipe Faísca


Sexta, 7 de Março
19h00 - Katty Xiomara
20h00 - Ricardo Preto
21h00 - Alexandra Moura
21h30 - «Frankie» (França, 2006), de Fabienne Berthaud

22h30 - Alves / Gonçalves


Sábado, 8, Dia Internacional da Mulher

14h00 - José António Tenente
15h00 - «Add. Up», de Osvaldo Martins
16h00 - Aleksandar Protich
17h00 - Lidija Kolovrat
18h00 - Ana Salazar
19h00 - Pedro Mourão
20h00 - «Lagerfeld Confidential», Rodolphe Marconi

21h30 - Luís Buchinho
22h30 - Miguel Vieira


Domingo, 9 de Março
15h30 - Nuno Gama
16h30 - Nuno Baltazar
17h30 - «White Tent»
18h00 - Lara Torres
18h30 - «AForest»

3.3.08

In memoriam Maria Gabriela Llansol


«O texto é a única forma de identificar o sexo e a humanidade de alguém porque, ó poeta estranho, o sexo de alguém, é a sua narrativa. A sua, ou a que o texto conta, no seu lugar. Assim o sexo será como for o lugar do texto.

Quando se deseja alguém, como tu desejas Infausta, e ela deseja Johann, é o seu lugar cénico que se deseja, os gestos do texto que descreve no espaço e chamar-lhe precioso companheiro; de mim, direi que fui uma vez enviado, trouxeste a frase que nunca antes leras, o meu corpo a disse, e não reparaste que ficaste com ela escrita.»

Maria Gabriela Llansol (1931-2008), Lisboaleipzig 2 (1994).

Na foto, uma das suas últimas obras, Amigo e Amiga - curso de silêncio de 2004, publicada pela Assírio & Alvim (Lisboa, 2006).