11.8.08

jazz.... sempre!


Terminou no sábado a 25ªedição do jazz em agosto da Fundação Calouste Gulbenkian. Organizado nos dois primeiros fins de semana de Agosto, o festival teve altos momentos. Entre os que viu, a cidade das mulheres elegeu este: Sylvie Couvoisier, Lonelyville (Suiça, França, Japão, EUA). Sobre Sylvie, o crítico americano Bill Shoemaker, um «habituée» do festival e que participou na conferência de sexta, «The Changing Scene», escreveu: «A Courvoisier pianista é tão fundamental quanto a Courvoisier compositora. A forma como toca é tão variada quanto a dos seus parceiros, passa de um silêncio reverencial para uma intensidade arrebatadora. Enquanto alguns pianistas apenas conseguem fazer sentir a sua presença libertando-se, Courvoisier causa impacto mesmo nos momentos mais minimais.»
Foto: Joaquim Mendes / Fundação Calouste Gulbenkian.

Pequim

Pequim não tem só a ver com Jogos (olímpicos). Tem também a ver com uma declaração assinada há 13 anos atrás, em Setembro de 1995: a Declaração de Pequim adoptada pela 4ª conferência Mundial sobre as mulheres: Acção para a igualdade, desenvolvimento e paz.
Como resultado, 189 nações comprometeram-se a avançar com o conceito de «empowerment» da mulher: através da Plataforma de Acção de Pequim, uma agenda de acções tem por objectivo remover os obstáculos à participação activa da mulher em todas as esferas da vida pública e privada, através da participação igualitária e completa nos processos de tomada de decisões políticas, económicas, sociais e culturais. «A Plataforma de Acção reafirma o princípio fundamental estabelecido na Declaração e no Programa de Acção de Viena e aprovado pela Conferência Mundial de Direitos Humanos, de que os direitos humanos das mulheres e raparigas são uma parte inalienável, integral e indivisível dos direitos humanos universais. Como programa de acção, a Plataforma aponta para a promoção e protecção do pleno exercício de todos os direitos humanos e das liberdades fundamentais de todas as mulheres, ao longo de suas vidas.» (Plataforma de Acção, parágrafo 2 ).
A Plataforma de Acção de Pequim identificou 12 áreas que requerem medidas especialmente urgentes e que se destacam como prioridade. São elas as seguintes:

1) Mulheres e Pobreza – Pela persistente e crescente carga de pobreza que afecta a mulher;
2) Educação e Formação – Pelas disparidades, insuficiências e desigualdade de acesso em matéria de educação e formação;
3) Saúde – Pelas disparidades, insuficiências e desigualdade de acesso à saúde e a serviços relacionados;
4) Violência contra a mulher;
5) Consequências dos conflitos armados e de outros tipos para as mulheres, incluindo as que vivem em situação de ocupação estrangeira;
6) Desigualdade nas estruturas políticas e económicas, em todas as formas de actividades produtivas e no acesso a recursos;
7) Desigualdade entre a mulher e o homem no exercício de poder e no processo de tomada de decisão em todos os níveis;
8) Falta de mecanismos suficientes em todos os níveis para a promoção do avanço da mulher;
9) Falta de respeito, e promoção e protecção insuficientes dos direitos humanos da mulher;
10) Estereótipos sobre a mulher e desigualdade de acesso e participação da mulher em todos os meios de comunicação;
11) Desigualdades baseadas no género na gestão de recursos naturais e na protecção do meio ambiente;
12) Persistência da discriminação contra as raparigas e violação dos seus direitos.

Sobre a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, aceder a http://www.plataformamulheres.org.pt/.

9.8.08

a gloria do desporto (II)

Oito horas e oito minutos do dia oito do ano de 2008. Para os chineses, tinha tudo para dar certo :) E deu. Uma magnífica, fabulosa, gloriosa abertura: em Portugal era dia 8 de agosto, mas uma da tarde, hora de almoço muito bem servido por uma cerimónia de abertura que foi mais do que cinco estrelas! Foram pelo menos oito estrelas!







Vinte e nove pontos de fogo de artíficio por toda a cidade de Pequim. Tema deste jogos: «Um mundo, um sonho». Desde a invenção do papel, ao poder da escrita, da rota da seda à China moderna, a sabedoria milenar dos chineses sabe como deliciar o Ocidente. Da coreografia (em cima do pergaminho - que ideia genial), com milhares de figurantes-intérpretes, ao desfile das missões (o primeiro país lusófono a desfilar foi a Guiné-Bissau) - aqui ficam os pequenos flashes móveis da cerimónia, com o porta-bandeira Nelson Évora a liderar a missão portuguesa.

a glória do desporto



O correspondente ao serviço da cidade das mulheres enviou esta foto alusiva ao momento actual: os jogos começaram. A fotografia foi captada na praia da mareta, sagres. Autoria: AAL.

8.8.08

os jogos vão começar

O atleta Nelson Évora, campeão mundial de Triplo Salto, foi nomeado pela Chefia de Missão de Portugal para ser o Porta-bandeira na Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, dia 8. Alberto Paulo conseguiu na quarta-feira a qualificação nos 3.000 metros obstáculos para os Jogos Olímpicos de Pequim: sendo assim são 78 os atletas da Missão de Portugal, de 17 modalidades.
No Atletismo atingiu-se quase a paridade, a avaliar pelas 14 mulheres e 13 homens; no Badminton, igualmente: uma mulher, um homem. Na Canoagem foram qualificadas/os três mulheres e um homem, o mesmo acontece no desporto equestre; no Ciclismo, há apenas três homens e na Esgrima, um homem e uma mulher; no Judo distinguem-se Telma Monteiro, Ana Hormigo e três outros atletas, Pedro Dias, João Pina, e João Neto; na Natação foram qualificados sete homens e três mulheres; no Remo, dois homens; no Taekwondo um atleta e no Ténis de mesa são três homens; nas três modalidades de Tiro distinguem-se três homens. Nos Trampolins temos uma atleta e um atleta; no Triatlo temos a grande (grande!!!!!) Vanessa Fernandes, e ainda Bruno Pais e Duarte Marques. Finalmente, na vela, são oito os atletas portugueses.
A cidade das mulheres não tem correspondentes em Pequim, mas daqui até lá estamos à distância do zapping :) nem a muralha nos separa... Em Portugal, a cerimónia de abertura é transmitida em directo, a partir das 13h00.

Toda a informação em http://www.pequim2008.com.pt/ ou em www.comiteolimpicoportugal.pt/

7.8.08

jazz... é agosto!




Continua hoje em Lisboa o festival Jazz em Agosto, com o Sexteto de Taylor Ho Bynum (EUA) - T.Ho Bynum (corneta), Matt Bauder (sax tenor, clarinete, clarinete baixo), Mary Halvorson (guitarra eléctrica), Jessica Pavone (viola, baixo eléctrico), Tomas Fujiwara (bateria) - no anfiteatro ao ar livre da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h30. Ao final da tarde, 18h30, passará no auditório 2 o filme documental de Jellie Dekker e Dick Lucas, «Misha Mendelberg Afijn», com a presença dos realizadores.

leituras para qualquer estação (II)














5.8.08

leituras para uma estação olímpica



Na quinta-feira vai ser lançado o mais recente livro de Haruki Murakami «What I Talk About When I Talk About Running», da Harvill Secker. A cidade das mulheres já leu um excerto e não pode deixar de recomendá-lo às murakamianas mais esta leitura de fundo, sobretudo agora que ele relata o que sente quem já correu 100 km num dia ! O Guardian publicou há uns dias um excerto. Para um futuro próximo esperamo-lo editado pela Casa das Letras.


Este tema leva-nos para um outro autor, como lembrou uma murakamiana amiga, o José Luís Peixoto que se inspirou em Francisco Lázaro, fundista português que correu a maratona nos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo, e morreu ao quilómetro 29. Figura ímpar, Lázaro (n.1888) e família são o ponto de partida para a obra «Cemitério de pianos», que já foi por sua vez 'palco' para as «Visões sobre cemitérios de pianos», uma performace-instalação de Luís Castro (Karnart: estreado em 2007, com reposição em 2008, até 28 de Junho). A partir de hoje a cidade das mulheres vai afixar algumas sugestões literárias de fino recorte (científico, histórico, social).
Onde quer que estejas, que o Verão te seja favorável! Bons jogos.

cuscuz


Este tempo faz-me sempre recordar uma certa viagem a Marrocos, com um calor de estarrecer e um vento que mais ou menos ajudava a amenizá-lo, a acordar uma certa frescura que pairava, mas só a noite trazia...a par com a música dos tambores.

Por isso, faço minha a sugestão cinematográfica de uma amiga: «O segredo de um cuscuz», de Abdel Kechiche (2007, França, 151'). Para uma outra amiga, fã também de Marrocos, e que nasceu no dia de N.Sra.das Neves, um feliz aniversário!

Foto: Marrocos in my mind, 1984, by JPP.

4.8.08

Música na cidade III




Ustad Fateh Ali Khan & Jan Garbarek. Para refrescar, esta é a música que a cidade das mulheres serve de bandeja. Há outra música muito boa a rodar no blogue da frenesi (Antena: Nils Petter Molvaer), servida por um excelente video. Mas foi a música que me inspirou para (re)encontrar agora esta dupla do saxofonista norueguês Jan Garbarek, com o já desaparecido músico paquistanês Fateh Ali Khan.

1.8.08

antónio maria lisboa

soube-se hoje na cidade das mulheres que o antónio maria lisboa, se fosse vivo, faria 80 anos. ora eu que li de trás para a frente e vice-versa aquele livro de capa rosa editado pela assírio & alvim, mas que tenho andado um pouco esquecida da sua poesia e da sua prosa, quero aqui agora evocar este surrealista que me proporcionou tantas horas de leitura no passado.

a páginas tantas, 83, da poesia de antónio maria lisboa, texto estabelecido por mário cesariny de vasconcelos, assírio & alvim, lisboa, 1977, saliento este trecho:

«Dentro dos nomes genéricos, mais amplos e capazes de abrigar as personalidades mais díspares, foi até hoje o Surrealismo que me apareceu, pois os seus princípios e, portanto, denominadores comuns são poucos e indistintos - automatismo psíquico, Liberdade, o encontro dum determinado ponto do espírito sintético, o Amor, a transformação da realidade, a recuperação da nossa força psíquica, o desejo, o sonho, a POESIA. (...), o compromiso do Poeta é com o AMOR e o acto um acto LIVRE no TEMPO-ÚNICO!»

António Maria Lisboa (n.1 de Agosto de 1928 – f.1953)
In Livro III, «Erro Próprio» (Conferência - Manifesto, 1952), Poesia, de António Maria Lisboa.

aromas de fim de semana

Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
Ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.

Eugénio de Andrade, Frutos