24.5.10

Dia Internacional das Mulheres pela Paz e pelo Desarmamento

A comemoração deste dia teve origem no início dos anos oitenta, na Europa, quando centenas de mulheres se organizaram contra as armas nucleares e a corrida armamentista. Em 2010, e por todo Mundo, a Marcha Mundial das Mulheres continua a lutar pelo fim imediato dos conflitos armados e do uso do corpo das mulheres como terreno de guerra. Estamos a marchar para denunciar os interesses económicos que estão por detrás de inúmeros conflitos armados e o envolvimento das grandes potências mundiais em guerras que perduram em tantos países e regiões do Mundo.Vivemos num mundo cada vez mais militarizado, como se pode comprovar por um crescimento real das despesas militares mundiais de 45% nos últimos dez anos. Entre 2006 e 2007, o aumento médio dos orçamentos militares nacionais foi de 6%. Em 2005, os Estados Unidos mantinham 737 bases militares activas em outros países, com um contingente de 2 500 000 pessoas e, em 2007, as suas despesas militares representavam 45% do total da despesa mundial na área da defesa. Por outro lado, a guerra sofreu alterações importantes e hoje em dia é cada vez mais feita por mercenários privados: de um total de 330 000 soldados, que estavam no Iraque em 2007, 180 000 são membros de empresas de segurança privada. No entanto, esta crescente militarização da vida e da sociedade é também visível na disseminação civil de armas pequenas e ligeiras. De acordo com dados do Small Arms Survey (2008), as armas de fogo vitimam, diariamente, em todo o mundo, cerca de mil pessoas. Dessas mortes, apenas 25% se registam em contextos de guerra ou conflito armado, sendo que a maioria destas armas se encontram em posse civil, superando aquelas sob controlo do Estado e forças de segurança. Em Portugal, calcula-se que existam 1,4 milhões de armas de fogo legais em posse civil, na sua maioria armas de caça. As estimativas sobre a dimensão do mercado ilegal apontam para a existência de 500 mil a 1 milhão de armas. Entre 2003 e 2008, de acordo com dados do Ministério da Saúde e Polícia Judiciária, 437 pessoas foram vítimas mortais de armas de fogo no nosso país, sendo que 1619 ficaram feridas gravemente. Dados oficiais sobre violência doméstica armada são, contudo, escassos. A ausência de dados e análises sobre esta realidade deve-se ao facto de, em Portugal, como em todo o mundo, a investigação e intervenção nos domínios da violência urbana e violência contra as mulheres permanecerem separadas. É como se também o fenómeno da violência estivesse dividido em dois pólos independentes: o espaço público, da violência de homens contra homens - aqueles que mais matam e morrem em resultado de armas de fogo – e a esfera doméstica, lugar da vitimação feminina. Segundo dados do Observatório das Mulheres Assassinadas da UMAR, desde 2004 morreram no nosso país 200 mulheres vítimas de violência doméstica. Destas, 40% foram assassinadas por armas de fogo e 17% por armas brancas, sendo que em 40 mortes não há registo da causa de morte. É importante recordar, todavia, que estes dados captam apenas a realidade da vitimação directa de mulheres com armas de fogo, negligenciando o elemento intimidatório das armas de fogo e outros impactos da violência armada. As mulheres sempre sofreram os males da guerra, psicologica, social, física e economicamente. As mulheres e os seus corpos foram considerados ora como despojo de guerra, ora como moeda de troca. São vistas como o repouso do guerreiro, o seu corpo identificado como solo inimigo e, por isso, um campo de batalha. Guerra, conflitos e militarização são expressões da violência tornada natural pelos sistemas capitalista e patriarcal e os meios utilizados por estes para manterem o seu domínio. Mais do que isso, a militarização reflecte a divisão dos papéis de género: o conceito de masculinidade é associado à violência e às armas, o que leva à ideia de que as mulheres necessitam de protecção dos homens e das armas. A Marcha Mundial das Mulheres bate-se e defende a vida e luta pela transformação da sociedade patriarcal, capitalista e militarizada em que vivemos, numa outra formada por pessoas livres e baseada nos valores de Paz, Justiça, Solidariedade, Liberdade e Igualdade. Estaremos em marcha até que as mulheres sejam reconhecidas e valorizadas como protagonistas dos processos de paz, reconciliação e reconstrução e de manutenção activa da paz nos seus países.

Marcha Mundial das Mulheres

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