Poema (II)


Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado

nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago

Sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras

sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado

minha raiva
de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda


POEMA SOBRE A RECUSA 
in "Minha Senhora de Mim", Maria Teresa Horta

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