31.3.09

Ada Lovelace Day


O dia 24 de Março é o dia dedicado a chamar a atenção para as mulheres e a tecnologia. Ada Lovelace nasceu em Dezembro de 1815 em Londres, filha de Lord Byron e de Anne Isabelle Milbanke. Estudou Matemática e Música e é considerada fundadora do computador científico, descrevendo a «Máquina analítica» de Charles Babbage, cientista da época. Esta última semana de Março serviu assim para a criação de uma lista de distribuição entre as pessoas interessadas na prática artística, nos media e sua tecnologia, enfim numa comunidade de artistas ligada em rede.


«NetBehaviour is an open email list community for sharing ideas, posting events & opportunities in the area of networked distributed creativity. Also facilitating collaborations between artists, academics, soft groups, writers, code geeks, curators, independent thinkers, relationalists, activists, networkers, net mutualists, new media types, new media performers, net sufis, non nationalists. Join in and get involved making our history here now before someone else does it for us. We, are the medium - we are the context - we are the frontline - we are the real source of networked creativity. Let's explore the potentials of this global network. This is just the beginning.»

Parabéns JAT

Aos 20 anos desenhou a sua primeira colecção de pronto-a.-vestir que intitulou “Cordas e metais”. Estávamos então em 1986 e José António Tenente (n.Cascais, 31.03.1966) era um promissor designer de moda. A sua primeira loja foi aquela que abriu a 31.12.1990, e que hoje podemos continuar a visitar no nº8 da Travessa do Carmo, em Lisboa (ao Chiado). Segue-se um excerto de uma entrevista que lhe fiz em 2002.
Quem são os/as clientes de José António Tenente ?
JAT –A grande maioria é constituída pelo grupo de idade dos 30 aos 45 anos. É nesta faixa que se situa também o nosso público masculino. No caso feminino temos abaixo e acima desta camada etária: raparigas mais jovens e depois também senhoras acima dos 45 anos. O nosso público é informado, conhece os panoramas das ofertas, conhece a marca, identifica-se com o nosso trabalho de detalhe, de diferença. São pessoas que estão bem com elas próprias. Não é o género de pessoa que gosta de ser o centro das atenções, mas que adora a pequena diferença e aquela pequena irreverência de alguma coisa que sabe que vai suscitar aquele efeito no meio. Aposta nessas diferenças e claro dispõe de algum poder de compra. As marcas em que nós nos inserimos não são para as massas. Contudo, temos preços simpáticos, acessíveis e viáveis. Aquilo que eventualmente afastará uma camada mais jovem não é tanto o preço, mas mais o estilo. Não fazemos uma roupa muito teenager nem muito streetwear, portanto a camada que acaba por consumir é a camada etária a partir dos 25 anos, porque já tem uma formação de gosto determinada, já começou a definir a sua escolha. Até aí nós fazemos todos parte de uma amálgama, em que não gostamos de sair da norma, daquele grupo, ou do grupo em que queremos estar, e para estar naquele grupo temos de vestir de uma determinada maneira.

Qual é o princípio essencial que preside à criação de uma colecção?
Isso depende muito das ideias que estão subjacentes à colecção. Por vezes há ideias que têm subjacente o dia a dia, outras uma pesquisa histórica, que me leva directamente para qualquer lado. Estas últimas colecções voltaram a ser menos pragmáticas, ao nível da imagem. Voltaram a ter subjacente ideias construídas para uma imagem global. Quando pegamos nas peças destas colecções e as desconstruímos elas podem ser vestidas de outra maneira. Muitas pessoas podem ter acesso às peças e fazer delas o que lhes apetecer. Para mim a colecção de Inverno 2002/03 partiu da pintura holandesa [Vermeer, Rembrandt] e de retratos. Eu gosto imenso de retratos, tanto na pintura como na fotografia. Toca-me sempre imenso aquela relação que se estabelece entre quem está a pintar e quem está a ser retratado - aquele olhar, aquela cara que, de repente, leva-nos não sei para onde, aquela intensidade e aquela emoção. Partir de uma ideia que no fundo é tão abstracta para fazer roupa, traduz-se em vestuário com algumas referências – históricas ou não. Eu imagino esta colecção vestida de outra maneira. A de Verão a mesma coisa, sendo que ali preside um imaginário absolutamente romântico.

Quais são hoje as tuas influências?
As minhas referências não serão muito contemporâneas. São aquelas coisas que me dizem muito: a música, a pintura, o cinema, a dança, que são para mim tão fundamentais quanto a informação de moda. Esta às vezes acaba por ser mais uma referência no meio de uma panóplia. No meu caso há colecções que custam imenso a nascer, porque não há aquele clic que faz com que as coisas apareçam. E há outras que não. Nesta colecção de Primavera/Verão [2002], que tinha muito a ver com lembranças, e correspondência amorosa, não me preocupei muito se isto ía calhar na ‘mosca’ ou não. Comercialmente a colecção de Verão está a correr muito bem e o público reagiu positivamente a esta colecção. Até me surpreendeu esta resposta tão efusiva. Porque a colecção é muito romântica e o público feminino é de facto muito romântico. De uma maneira geral aquela imagem estereotipada que se tem de uma mulher emancipada, coexiste de facto com o lado da mulher romântica. Há sempre aquela necessidade do saia-casaco formal, mas esta personalização das peças e do cuidado com o detalhe tiveram uma boa resposta. Temos um público que se identifica muito com isto.
Cristina L. Duarte

30.3.09

Arte feminista e de género

Realizam-se esta semanas, em Espanha, as I jornadas de teoría del arte feminista y de género en España Una historia "pendiente" del arte español, dias 2 e 3 de Abril, no Centro de Cultura "SA NOSTRA" (Carrer de la Concepció, 12), em Palma de Maiorca.
Estas jornadas surgem pela necessidade de realizar um trabalho crítico e de investigação sobre as relações existentes entre a arte e a prática política feminista no estado espanhol. Nos dias de hoje, é evidente a presença do feminismo e da teoria do género no campo da prática artística, colocando público e artistas frente a frente com as questões da identidade, do corpo, do papel do espectador, do mercado da arte e perante ainda a própria noção de subjectividade.
Em colaboração com a Universidade de Les Illes Balears (www.uib.es) o programa tem início dia 2, a partir das 10h30, com as seguintes conferencistas: María José González, Assumpta Bassas, Carmen Muriana, Cabello/Carceller y Xabier Arakistain. Dia 3 de Abril, a partir das 10h30, conferencistas: María José Belbel, Azucena Vieites e Susana Blas.

lady rap


27.3.09

Paula Rego

Não é que ontem a cidade das mulheres se esqueceu do inesquecível! Dia 26 de Março é a data de nascimento de uma das nossas Grandes pintoras! Nem de propósito, ela foi tema de uma conversa entre amigos, acerca do museu que em breve abrirá ao público em Cascais, a Casa dos Desenhos... Pois só hoje folheando a agenda feminista 2009 (coordenação Luísa Boléo, ed.Umar) encontrei esta entrada, que me colocou de novo os pés na terra: «1935 - Nascimento, em Lisboa, da pintora Maria Paula Figueiredo Rego. Aos dezasseis anos foi estudar e fixou-se em Londres, onde casou e nasceram os três filhos. Expôs em Lisboa, desde os anos 60, com sucesso. "Pinto para dar uma face ao medo", disse. Pintora complexa, tem uma série de telas sobre o horror do aborto clandestino. Em Outubro de 2007 inaugurou a maior retrospectiva dos seus trabalhos, em Madrid.»
Angel (1998)

memória do teatro



Hoje é dia mundial do teatro. dia de ir ao teatro. mas todos os dias são dias de teatro. e não me refiro ao teatro do quotidiano. por aqui, fica a memória de duas peças-performances do espaçokarnart (estrutura fundada em Lisboa, em 2001), dirigidas por Luís Castro em 2008: «A fronteira» (Copi) e «Visões sobre cemitério de pianos» (uma performance-instalação, a partir de Cemitério de Pianos, de José Luís Peixoto). para uma visão mais interior do que é (sobre)viver do teatro, aconselha-se a crónica de Jorge Silva Melo, hoje no jornal Público. Sobe o pano. Por exemplo, em Lisboa, temos «A Tempestade», de William Shakespeare, pela Cornucópia. Ou «Esta noite improvisa-se» de Luigi Pirandello, no Teatro Nacional D.Maria II. Ou ainda «Inocente silêncio» de Laura Vasconcellos, na Comuna Teatro de Pesquisa, um projecto teatral onde o grupo de artistas trabalha em regime de voluntariado, com o objectivo de sensibilizar para o tráfico humano de menores. A venda de bilhetes reverte a favor da Associação para a Defesa dos Direitos Humanos (ADDHU) .

26.3.09

Márcia

Quem quiser conhecer esta cantora, terá de ir até ao máxime, em lisboa, logo à noite. Pelo soar da sua música e da sua voz, parece bem interessante. Márcia está a rodar agora na cidade das mulheres.

25.3.09

Da primavera/verão ao outono/inverno * notas de moda ao correr da caneta (V)


white tent: este colectivo desenvolveu um trabalho a partir de uma pesquisa histórica sobre armaduras. como resultado a sua colecção de mulher vive de repetição de detalhes, em escama, em vestidos, de malhas «metálicas» transpostas através de tricot, para camisolas-armadura. os tecidos metalizados predominam, mas também o preto e o bege. estejamos portanto atentas a este colectivo, que promete uma grande 'malha 'ao nível da moda.
Lara Torres: «anatomia do vestuário». a roupa de mulher como escultura/hábito/casa, num jogo de re-construção da memória do vestuário. destaco um casaco linha A, com grandes bolsos laterais. peças em tiras (é o que acontece nos dias que correm à - nossa - memória ), para mangas, saias ou vestidos. cascaco-capa, curto. cores: preto, cinza antracite e cor de cartão. de notar ainda que Lara trabalha «o vestuário como espaço limiar, caracterizado pela capacidade de prolongar e traduzir o interior no exterior». um trabalho enfim a ser seguido por quem se interessa pela (sua) segunda pele.

aforest: «object oriented», ou dizendo de outra forma, malhas tricotadas, fios de lã, em magnífica gola/abafo, linhas desconstruídas como aquelas que a designer Sara Lamúrias já nos habituou, numa fórmula que combina funcionalidade, quotidiano e tradição nesta colecção que apresentou na mais recente edição da modalisboa.
Agora despedimo-nos, até à próxima edição, em Outubro próximo, que nos irá levar pela marginal fora, até à 33ªedição da modalisboa/estoril. Será que em 2010 a modalisboa vai voltar a casa? A cidade branca e a cidade das mulheres antecipam esse momento... será ficção? será realidade? 2010, odisseia no espaço (the final revenge :) num velhinho cinema de reprise.


Fotografia: Rui Vasco/ Arquivo ModaLisboa

Da primavera/verão ao outono/inverno * notas de moda ao correr da caneta (IV)

Para a sua colecção Outono/Inverno 09/10 Pedro Mourão foi buscar inspiração a um tema onde o modo de trajar e de estar se identifica com um grupo muito específico de regras rígidas e de longa tradição - o acto e o fato de montar a cavalo.
O clássico e o urbano propocionaram uma combinação arrojada e de extremo bom gosto. Figuras esguias e elegantes combinam as cores preto e vermelho com cores terra, dando quer à silhueta masculina como à feminina um toque de elegância. Mostra-nos um homem clássico e ao mesmo tempo sensual e intemporal, mas muito moderno. O feminino e o masculino são de grande intensidade e elegância. Um elemento curioso e que foi surgindo ao longo do seu desfile na modalisboa é a mosca. Sejam apliques nos chapéus ou estampada numa camisola ou casaco surge como um elemento intrigante e que deixa em aberto a sua presença!

Será dos cavalos? Ou é o presságio de um Deus das Moscas que (nos) desmascara e mostra o nosso lado obscuro e animal da condição humana, ao querermos ser diferentes e destacarmo-nos da multidão?

Filipe Faísca iniciou o desfile de modo dramático e sonhador como se os cisnes negros da obra de ballet "O Lago dos Cisnes" se materializassem em belas mulheres exibindo a graciosidade de um cisne. O criador transforma a mulher em personagens que desempenham diferentes papéis numa amálgama de épocas dentro de um filme que termina numa apoteose do tempo dos czares da Rússia. Vai buscar elementos e padrões a diferentes estilos e décadas da moda, combinando o arrojado com o clássico de modo incomparável e surpreendente como só Faísca sabe fazer!
Texto: miss soares
Fotografia: Rui Vasco/Arquivo ModaLisboa





24.3.09

Debater a discriminação


Deste lado da história (VIII)

As mulheres e a maçonaria

Foi há cem anos, em 1907, que Magalhães Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, iniciou na Maçonaria um grupo de mulheres feministas e republicanas que há muito lutavam pela transformação política e cultural da sociedade portuguesa. Foram elas, as dirigentes feministas Adelaide Cabete, Ana Augusta Castilho, Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo e Maria Veleda que, entre outras, passaram a militar na Loja Humanidade, agremiação maçónica feminina independente, com igualdade de direitos e representação junto das hierarquias maçónicas e em todos os actos de carácter electivo. A criação desta loja feminina remonta a 1904, mas só com a entrada das mulheres feministas e republicanas se tornou independente, situação inédita em toda a Europa e bastante contestada por algumas lojas masculinas mais conservadoras. A luta destas mulheres não se limitava à reivindicação da igualdade de direitos sociais, civis e políticos mas incluía, sempre que possível, uma prática de plena cidadania. A independência conseguida no interior da Maçonaria não foi alheia à luta pela emancipação feminina, ideal que naquela época não se podia desligar da luta pela República e pela liberdade de consciência. Magalhães Lima, como Grão-Mestre da Maçonaria, teve um papel muito importante neste processo de autonomia, pois foi o dirigente republicano que mais apoiou a causa da emancipação das mulheres, sobretudo o direito de voto.
Apesar das divergências entre as agremiações maçónicas femininas e masculinas, a Loja Humanidade manteve-se no Grande Oriente Lusitano Unido até 1913, data em que a polémica contestatária se reacendeu. Ana de Castro Osório, venerável da Loja Humanidade, lançou nessa data um inquérito escrito dirigido a figuras importantes da política e da Maçonaria no sentido de avaliar o contributo das mulheres para o triunfo da causa democrática e saber se nessa corporação era ou não justo que elas fossem aceites como irmãs respeitadas e iguais em direitos. Esta última questão não obteve o desejável consenso e as mulheres da Loja Humanidade desligaram-se do Grande Oriente Lusitano Unido, isto é, da Maçonaria regular, e passaram a trabalhar em liberdade no dito mundo profano até 1920, outro caso inédito em toda a Europa. Entretanto, em 1915, algumas dissidentes fundaram a Loja Carolina Ângelo, em memória da irmã falecida em Outubro de 1911, sendo esta também chefiada por Ana de Castro Osório. Cinco anos depois a loja contava com trinta e duas associadas, cuja profissão dominante era a de professora dos vários níveis de ensino, tal como se verificara na Loja Humanidade. Nesta data, por ocasião da proclamada Monarquia do Norte, houve uma insistência das altas hierarquias para que as mulheres regressassem ao Grande Oriente Lusitano Unido. Magalhães Lima, o principal impulsionador do regresso, conseguiu os seus objectivos.
A participação das mulheres na instituição maçónica foi mais ou menos intensa consoante o rumo que o regime republicano ia tomando. Sempre que os ideais da República eram desvirtuados ou estavam em perigo de perecer havia uma congregação de esforços entre agremiações femininas e masculinas para os defender e consolidar. No entanto, as mulheres cansadas e desiludidas pela actuação dos seus confrades, decidiram filiar-se na Ordem Mista Internacional Direito Humano, fundada em França em 1893 por Maria Deraismes e George Martin, que aceitava homens e mulheres em igualdade de direitos. Adelaide Cabete foi a obreira desta adesão em 1923, sendo-lhe concedidos poderes para instalar a Loja Humanidade de Direito Humano nº. 776, da qual se tornará Venerável.
É nesta loja mista que, em 1926, militam já quarenta e sete associada(o)s, entre a(o)s quais, figuram nomes de filha(o)s de Figueira de Castelo Rodrigo. São ela(e)s Albertina Olinda Ria Gambôa, Elida Madeira e Porfírio António Gambôa. Aliás, Albertina Olinda Ria Gambôa fez parte do núcleo fundador com Adelaide Cabete, desempenhando o cargo de secretária no corpo directivo. Na década de vinte, foi intensa a actividade e o recrutamento de militantes em todo o país com o objectivo de constituir uma Federação capaz de se tornar independente da Maçonaria Mista francesa.
Cem anos depois, há que homenagear todas as mulheres que tiveram a coragem de lutar com coerência e tenacidade pelos ideais da liberdade, igualdade e solidariedade em todas as associações a que pertenceram e que, apesar das limitações impostas ao seu sexo, ousaram exercer a cidadania em todas as vertentes do quotidiano.
Natividade Monteiro

real e imaginário


A APAV promove amanhã, 25 de Março, às 19h00, uma tertúlia literária com a escritora Dulce Maria Cardoso, no Espaço APAV & Cultura, na Sede da APAV - Rua José Estêvão 135-A (ao Jardim Constantino) em Lisboa, com entrada livre.
Com o seu romance de estreia Campo de Sangue (2002), Dulce Maria Cardoso foi distinguida com o Grande Prémio Acontece. Em 2005 publicou o seu segundo romance, Os meus sentimentos, seguindo-se a colectânea de contos Até Nós (2008) ; este ano publicará o seu terceiro romance, O Chão dos Pardais. Os romances de Dulce Maria Cardoso estão publicados em França, Itália, Brasil, Argentina, Espanha e Holanda e são objecto de estudo em universidades de Itália, França e Brasil.

Feira alternativa

No próximo fim de semana vai realizar-se 4ª edição da Feira Lisboa Alternativa (27 a 29 Março).
Esta feira nasceu para servir os adeptos da vida natural e saudável e também para influenciar os simpatizantes e curiosos que, anualmente, podem conhecer, aprender e experimentar modos de vida saudáveis. Alimentação natural e biológica, ecologia, terapias alternativas, massagens, desenvolvimento pessoal, artes orientais, turismo rural, cultura e artesanato étnico, música do mundo, comércio justo e desenvolvimento sustentável, são algumas das propostas da 4ª edição da Feira Alternativa 2009.

21.3.09

O equinócio de primavera



Beijo, seguro
e devagar tropeço

Trespasso as emoções
e te devolvo o espaço

O laço e o lençol
onde me deito
e faço
do tempo do amor
a mão
sobre o regaço

Maria Teresa Horta, «A mão sobre o regaço» in Só de amor

20.3.09

Da primavera/verão ao outono/inverno * notas de moda ao correr da caneta (III)


De novo o tema, conceptualmente falando, das mulheres trabalhadoras. A banda sonora do desfile de Ana Salazar era constituída pelos nomes das manequins e países de origem, com o som de passos pelo meio. Genial não só esta ideia que transforma a passerelle não só numa imensa rua cosmopolita e multicultural, como as mulheres e o que elas vestem se torna o foco de todas as atenções. Da silhueta aústera e contida, aos pormenores decorativos dados pela volumetria de planos ondulados em decoração de golas, ou decotes, à exuberância igualmente contida na junção de elementos de acessorização e/ou joalharia, cada colecção de Ana Salazar deixa-nos numa espera eternamente antecipada da próxima estação. Parabéns Ana! The black is back (again).

As manequins nesta passerelle foram: Carla Trombi, Espanha; Ana Eva, Rússia; Jani, Portugal; Flor, Portugal; Gabriela, Roménia; Susana Stork, Brasil; Ingrid, Brasil; Adriana Bertolucio, Argentina; Erica, Brasil; Justina, Polónia; Hania, Eslovénia; Matilde Loureiro, Portugal; B. Ruiz, Brasil; Uxi, Brasil; Raquel Faria, Portugal; Maria Luisa, Dinamarca; Isabela, Polónia; Fabiana, Brasil.

Fotografia: Rui Vasco/Arquivo ModaLisboa

Da primavera/verão ao outono/inverno * notas de moda ao correr da caneta (II)

A colecção de Dino Alves para o próximo Outono/Inverno foi construída com base nas mulheres das bases: neste caso, trabalhadoras que diariamente trabalham no serviço doméstico de limpeza ou na agricultura. Para a passerelle da modalisboa/estoril trouxeram baldes e outros apetrechos de limpeza. A elas, seguiram-se as outras trabalhadoras, manequins, vestidas com padrões inspirados em batas de algodão, apetrechadas com conceitos como: maquilhagem, chapéus, sobreposição de padrões, modelagem, estilização; enfim uma forma de vestir que prima pela comodidade - económica, física, habitual - junto das mulheres de classe média baixa, projectada como linguagem de moda. Mais uma vez Dino Alves faz da intervenção social o seu dedal e a sua agulha e nós aqui na cidade das mulheres tiramos-lhe o chapéu.
Fotografia: Rui Vasco/Arquivo ModaLisboa

Da primavera/verão ao outono/inverno * notas de moda ao correr da caneta (I)

Na Modalisboa/Estoril, a colecção Alexandra Moura Outono/Inverno 2009/2010 para homem e mulher nasceu de uma atracção «étnica» da criadora de moda pela tribo Surma, originária da Etiópia. A esta admiração por aquilo que ela define como uma sofisticação muito própria, de profunda harmonia com a natureza, Alexandra associa uma ideia de sofisticação urbana, de harmonia também em relação à forma. Cores predominantes: preto, castanho, com apontamentos de verde e azul. Para comunidades de moda com elegância própria.
Fotografia: Rui Vasco/ Arquivo ModaLisboa.

19.3.09

José




















1941

Bienal de Sharjah

A 9ª Bienal de Sharjah (Dubai, Emiratos Árabes Unidos), com curadoria de Isabel Carlos, começou esta semana, e decorre até 16 de Maio. É a primeira bienal do mundo com mais mulheres do que homens. Com o tema da bienal - «Provisions for the Future» - procura-se criar uma ponte entre culturas, sociedades e tempos.

18.3.09

Festa da Francofonia

Está a decorrer esta semana em Lisboa, a festa da francofonia, com organização do Instituto Franco-Português, que traz hoje ao Instituto Camões escritoras e escritores em representação de vários países. Segue-se programa da festa, com muitos momentos a não perder:

Quarta- feira 18 de Março 2009
18h30
Soirée littéraire – Serão literário
Viagens literárias : percursos francófonos e em português
Presença de escritores de língua portuguesa : Ana Paula Tavares:(Angola), Cristina Robalo Cordeiro, Francisco José Viegas (Portugal)
e francófonos : Gisèle Pineau (França), Lambert Schlechter (Luxemburgo), Samir Marzouki (Tunísia), Rafik Ben Salah (Suíça), Roger Léveillé (Canadá).
Diálogo entre os escritores e leitura de alguns excertos das suas obras seguido de um Porto de honra. (Duração 2 horas)
Local : Auditório do Instituto Camões

Quinta- feira 19 de Março 2009
18h00
Présentation de la revue « Carnets 1 » de l’APEF
Local : Auditório do Instituto Franco-Português

19h00
Rencontre avec / Encontro com Michel Onfray
Apresentação do seu livro “A Potência de Existir: manifesto hedonista” (Ed. Campo da Comunicação). No mesmo âmbito será apresentado, também o livro de Georges Palante “As Antinomias entre o Individuo e a Sociedade” prefaciado por Michel Onfray.
Apresentação: Fernando Lima e Nuno Nabais. Duração : 1h30
Local : Auditório do Instituto Franco-Português

21h00
Cycle de cinéma francophone
Filme grego Mourir à Athènes de Nikos Panayotopoulos, 2006. Duração 1h40. Comédia musical
Filme em grego com legendas em francês
Sinopse : Andréas, cinquentão, é atingido por uma leucemia fulminante, decide não desvendar a funesta notícia. No entanto pensa em revelar à sua mulher e às suas duas amantes os pequenos e grandes segredos da sua vida…
Local : Auditório do Instituto Franco-Português

Sexta-feira 20 de Março 2009
15h00
Atelier Francomélodies
Associação Portuguesa dos Professores de Francês
Oficina pedagógica sobre a canção francófona actual.
Duração 2h
Local : Auditório do Instituto Franco-Português

18h00
Concerto de «Julien Arpetti et son groupe»
Chansonnier luxembourgeois. Cantor luxemburguês. Duração 45 min
Local : Auditório do Instituto Franco-Português

19h00

Corinna Bille, La Demoiselle Sauvage
Descobrir ou redescobrir a escritora suíça Corinne Bille no documentário
"Corinna Bille, La Demoiselle Sauvage", de Pierre-André Thiébaud (Duração 52 min.)
Local : Mediateca do Instituto Franco-Português

21h00
Cycle de cinéma francophone
Filme francês Aide-toi, le ciel t’aidera, de François Dupeyron
Filme em francês legendado em português - (Duração 1h40)
Local : Auditório do Instituto Franco-Português
Sónia, mãe africana de quatro filhos, é assistente social num bairro dos arredores de Paris. No dia em que casa a filha, tudo desaba. Robert, seu vizinho do lado octogenário, é o seu único recurso. Mais branco que ele, é difícil de encontrar. Mais prestável também não, aliás......
Mas na vida nada é de borla. Menos o acaso, se soubermos aproveitá-lo.

Sábado 21 de Março 2009
11h00
L’heure du conte à l’IFP
Atelier pour jeune public 8 ans-12ans
Local : Mediateca do IFP
Horário: 11.00h - 13.00
Nicole Matiation e Pascal Boutroy do Centro de Artes Mediáticas para jovens canadianos (www.freezeframeonline.org), situado em Winnipeg (Manitoba) convidam-te a descobrir como se faz um filme de animação. Partindo de um conto, serás levado a escrever um guião, a desenhar um "storyboard", e ainda a criar as tuas personagens... Tudo isto com o objectivo de fazeres o teu próprio filme!
Idades: 8 a 12 anos. Reservas na Mediateca do IFP: 21.311.14.21/23


Soirée Romena
19h30
Vernissage de l’exposition / Inauguração da exposição
CIDADÃOS DO PARAÍSO da artista plástica romena ELENA MURARIU
Exposição romena de Gráfica Religiosa, Cidadãos do Paraíso é uma exposição sobre a alma de cada um de nós, enquanto seres que aspiram a uma “cidadania edénica”.
Local : Instituto Cultural Romeno
Vin d’honneur

21h00
Concert de clôture / Concerto de encerramento
Grupo EMY DRAGOI QUINTET JAZZ HOT CLUB ROMANIA
Local : Auditório do Instituto Franco-Português
Duração : 1h15
Emy Dragoï é considerado o melhor acordeonista de jazz do momento, e em 2005 foi declarado o " Artista do ano " em França. Com um repertório muito amplo, o «Rei do acordeão», destacou-se principalmente pelo seu extraordinário talento na improvisação. Ao lado de dois conhecidos guitarristas franceses Cristophe Lartilleux e Philippe Roger (guitarras clássica e rítmica), um tocador de címbalo de origem romena, Constantin Lacatus e um contrabaixista venezuelano Jimenez Juan, criou Emy Dragoi Quintet – Jazz Hot Club Romania.

17.3.09

Rania


Rania da Jordânia está há algum tempo no Youtube, com muita graça e não só; sobretudo, porque quer lutar pelo eslarecimento das pessoas, a favor da mudança de mentalidades e para acabar com a intolerância. Hoje, na sua visita oficial a Portugal, enquanto o Rei estaria noutro lado, pois tinham agendas separadas, a rainha esteve numa escola da Amadora, juntamente com a nossa primeira dama, e juntas assistiram a um concerto juvenil. Rania é realmente «cool».

Faces de Eva apresenta...

O grupo de investigação Faces de Eva da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL) apresenta amanhã, quarta-feira, dia 18 de Março, pelas 18h uma conferência pela escultora Clara Menéres (Professora Catedrática Emérita pela Universidade de Évora, doutorada em Etnologia pela Universidade de Paris VII), sob o título «Esculpir no feminino». Será no Auditório 2, Torre B, 3.º andar, na Av. de Berna, 26 C, em Lisboa.

16.3.09

«flores da primavera»


A Katty Xiomara tem uma maneira de criar para a mulher que fascina. Eu gostaria de vestir aquelas roupas! As suas criações dão vontade de se ser feminina e sensual.
Com esta colecção Outono/Inverno 2009/10 apresentada na modalisboa ontem no início da tarde, ela conseguiu transpôr para as roupas o romantismo de figuras etéreas utilizando a combinação de tecidos brilhantes e esvoaçantes que nos trazem à ideia figuras saídas de um tempo distante de sonho da infância, onde as fadas dos bosques são as figuras que nos inspiram.
Utilizando cores suaves e pormenores cativantes - como as tranças de tecido que deixam a mulher livre, não necessitando de mais adornos para valorizar a sua silhueta, bastando-se a si mesmo como um todo - Katty tem a capacidade de nos fazer apaixonar e acreditar que somos realmente diferentes e especiais ao ver as suas criações! Valorizar e enaltecer as mulheres é um trabalho que merece ser feito por mulheres especiais como Katty Xiomara!
Parabéns Katty!

Miss Soares

14.3.09

a primavera de Katty

Depois de uma colecção que é um mimo para esta Primavera/Verão, Katty prepara-se para apresentar a sua próxima colecção na modalisboa/estoril. É já amanhã (15h30) na Cidadela de Cascais, e tudo quanto se sabe por aqui é que é influenciada pela ideia de carrosséis, clássicos e envelhecidos.
O calendário, em último dia, apresentará ainda Pedro Mourão (16h30), Pedro Pedro (17h30), Nuno Gama (18h30) e Filipe Faísca. A moda catalã fecha a noite com Custo Barcelona (21h30).






a primavera de Lara

Lara Torres é uma criadora a quem o adjectivo «conceptual» se aplica às mil maravilhas. Tudo é pensado na criação, disse-me uma vez um criador de moda, defendendo que mesmo aqueles que têm uma vertente mais «street wear» e «vendável» também «pensam» as peças antes de as desenhar. Correcto. No caso de Lara, existe um exercício de reflexão sobre o papel da memória aliada ao vestuário, e neste caso à roupa de mulher. O seu projecto mimesis arrancou em 2005 e tem sido «desenvolvido no limite da ideia de vestuário enquanto objecto utilitário». O projecto prevê colaborações interdisciplinares. Hoje pelas 16h, a colecção Lara Torres Outono/Inverno 2009/10 sob o título «anatomia do vestuário» pode ser vista na modalisboa pelas 16h00.

O dia de sábado começa porém com Aforest-Design, uma etiqueta de Sara Lamúrias (15h00). Às 17h, o colectivo White Tent, é seguido pelos desfiles de Ricardo Preto (18h00), Ricardo Dourado (19h00), Nuno Baltazar (20h00) e a fechar o dia, Luís Buchinho (22h00).

[Fotografia: Lara Torres Primavera 2009, Rui Vasco/ Arquivo Modalisboa]





































13.3.09

Teresa Salgueiro e Lusitânia Ensemble



Hoje à noite, no Centro Olga Cadaval, em Sintra, Teresa Salgueiro e Lusitânia Ensemble apresentam o mais recente trabalho, «Matriz». A cidade das mulheres recomenda a sua audição ; )

Vestir os quadros

No desfile inaugural da modalisboa - na sua 32ªedição - na Cidadela de Cascais, a passerelle pertenceu à colecção de José António Tenente. Na sala, uma folha explicativa da colecção e do que a influenciou leva-nos até ao universo das personagens de Paula Rego. Muito interessante esta forma de Tenente espelhar a nossa pintora através da roupa concebida ao seu melhor nível. Espelhando também esta vontade de evasão de uma Krise que se arrasta há anos - e não só desde que chegou aos bancos e às bolsas, ou vice-versa? - a moda tem este poder de fazer sonhar outras possibilidades de vida, ... outras formas de estar, de vestir, de reatar enfim pequenos apontamentos da memória do traje e da moda em prol do hoje e agora, mesmo que com aura de ficção.

Na cidade das mulheres tiramos o chapéu à colecção de JAT. Porque ele na passerelle faz o mesmo connosco. E a banda sonora é sempre bem escolhida. Londres e os Rolling Stones dos anos 60 criaram o ambiente que precisávamos, para a projecção da alma. Estamos prontas para o baile. Na foto abaixo 'as avestruzes', segundo José António Tenente. Fotografia: Rui Vasco/ Arquivo ModaLisboa.

a primavera de Ana

«Black is not always back» diz Ana Salazar e com esta afirmação conquista mais uma vez a nossa estação quente. Para sabermos o que nos vai propôr para o próximo Outono/Inverno, a cidade das mulheres vai até à passerelle montada na Cidadela de Cascais, em busca da nova afirmação de moda de Ana Salazar, uma criadora a não perder de vista (nunca). Hoje, pelas 22h.
Um pouco antes, pelas 20h30, Dino Alves, um criador de moda que é um espectáculo, com alguma reflexão antropológica pelo meio. A passerelle da modalisboa abre as suas portas às 18h30, com Lidija Kolovrat, e depois Aleksandar Protich, pelas 19h30.













12.3.09

a primavera de Alexandra

No calendário de desfiles da ModalisboaEstoril Outono/Inverno 2009/2010 a cidade das mulheres destaca para o dia de hoje a criadora Alexandra Moura (n.27 julho 1973, Lisboa) que, na edição anterior, nos presenteou uma excelente colecção para esta primavera/verão, para Mulher e para Homem (como é seu hábito). A colecção «Arte-Vida-Arte» baseou-se no trabalho e na óptica do criador Wolf Vostell, e na ideia de «Dé-coll/age», bem como no movimento «Fluxos». São algumas dessas peças que aqui vos deixo. Mais logo, espero vestir com o meu olhar a sua próxima colecção. (Fotografia: Rui Vasco, arquivo modalisboa/estoril).


Por todas nós

foto-cortesia de Mlle. Vi.  Paris, Museu Militar, junto à igreja onde está enterrado napoleão.