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A mostrar mensagens de Março, 2007
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Em cima, colecção de Lara Torres; em baixo, final do desfile de Ricardo Preto na ModaLisboa Outono/Inverno 07/08, fotografias de Rui Vasco. Como no filme Casablanca, «Play it again»... A Cidade das Mulheres espera por vós em Outubro, para mais uma edição da ModaLisboa.
Cristina L. Duarte
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Em cima: colecção Anabela Baldaque Em baixo: colecção Alves/Gonçalves Fotografia: Rui Vasco/Arquivo ModaLisboa, Inverno 07/08
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Colecção Ana SalazarOutono/Inverno 2007/08 Fotografia: Rui Vasco/ Arquivo ModaLisboa

Tempo de teatro

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Sugestão para uma ida ao teatro, entre quarta a domingo, até 1 de Abril, na Sala Estúdio do Teatro da Trindade: «Aniñando», uma tragicomédia falada em português, castelhano e catalão; encenação de Sofia Cabrita; interpretação de Rita Rodrigues e Mireia Scatti; concepção plástica de Sara Franqueira; máscaras de Matteo Destro. Duração: 75m

Dia Mundial do Teatro

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A actriz Sarah Bernhardt, fotografada por Nadar em 1864.
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Filipe Faísca Outono/Inverno 07/08 Fotografia: Rui Vasco/ Arquivo ModaLisboa

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ModaLisboa Outono/Inverno 07/08 Em cima: colecção Lidija Kolovrat No meio: colecção Alexandra Moura Em baixo: colecção Nuno Gama
Fotografia: Rui Vasco/Arquivo ModaLisboa
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Colecção José António Tenente Outono/Inverno 2007/08
Fotografia: Rui Vasco/ Arquivo ModaLisboa

Primavera

«Primavera que Maio viu passar
Num bosque de bailados e segredos
Embalando no anseio dos teus dedos
Aquela misteriosa maravilha
Que a transparência das paisagens brilha.»

Sophia de Mello Breyner Andresen (in Obra Poética I, Caminho, 1999)


Hoje, Dia Mundial da Poesia, pelas 21h30, a novíssima Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos acolhe o espectáculo dos Wordsong; em Lisboa, é noite de «Herberto Helder». Há Poesia no Frágil (23h00, Rua da Atalaia, 126). Participam Graciano Dias, Paulo Abelho João Eleutério, Danças Ocultas e Gonçalo Siopa.
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Parte IX
Uma semana após o fim do seu calendário, a 28 ªedição da ModaLisboa, no Museu Nacional de História Natural, mostrou óptimos trabalhos, para o qual contribuiram evidentemente os designers de moda convidados, mas também um batalhão de pessoas que esteve a trabalhar nos estilos: desde as aderecistas, às equipas de maquilhagem e cabelos, à direcção de passerelle, e designers de som.
De tudo o que A Cidade das Mulheres observou, muito fica ainda por mostrar. Mas como faltam seis meses para o (próximo) ritual da moda (as colecções de pronto-a-vestir estão sujeitas a um calendário sazonal rígido: em Fevereiro/Março apresentam-se em todo o mundo o Outono/Inverno seguinte; e em Setembro/Outubro é apresentado a Primavera/Verão do ano seguinte) podemos semanalmente regressar a uma imagem produzida in loco. Para já, aqui jaz mais uma selecção daquilo que foi o melhor do melhor, com a assinatura do feito em Portugal. (Em cima, colecção Alexandra Moura).






Tempo da Poesia

Auto-retrato

Este que vês, de cores desprovido,
o meu retrato sem primores é
e dos falsos temores já despido
em sua luz oculta põe a fé.

Do oculto sentido dolorido,
este que vês, lúcido espelho é
e do passado o grito reduzido,
o estrago oculto pela mão da fé.

Oculto nele e nele convertido
do tempo ido excusa o cruel trato,
que o tempo em tudo apaga o sentido;

E do meu sonho transformado em acto,
do engano do mundo já despido,
este que vês, é o meu retrato.

Ana Hatherly, A Idade da Escrita, Lisboa, Edições Tema, 1998
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Parte VIII
Dos 23 desfiles realizados no âmbito desta ModaLisboa Outono/Inverno 2007/08 A Cidade das Mulheres esteve presente em 18 deles. Viu tudo o que queria ver, excepto Nuno Gama (n.Azeitão, 1966). Hélas! Mas depois entrevistei o Gama e senti-me compensada (brevemente disponibilizarei esse material). Há imenso tempo que não conversávamos e bem me lembro da nossa primeira entrevista (talvez eu tenha sido a primeira pessoa a fazê-lo, nos finais dos anos 80, quando ele ensaiava as primeiras colecções com a sua etiqueta pessoal e fazia uma lindas camisolas à poveira, numa versão muito sua, em chenille, cor de nevoeiro). No final da apresentação da sua colecção Homem, os manequins de calção e gorro (à Pai Natal) soltavam pombas brancas. Uma delas pelo menos ficou dentro da sala, pois por altura do Filipe Faísca - que fez uma colecção inspirada na nossa etnografia regional, mesclando os estilos etno e urbano. «Está ali um pássaro» - exclamava alguém ao meu lado, olhando para cima. Era u…
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PARTE VII
A Cidade das Mulheres congratula-se com o prémio de Melhor Manequim atribuído pelo canal Fashion TV a Sofia Baessa (Central Models). Todo o grupo de manequins que trabalhou na ModaLisboa está igualmente de parabéns, pelo óptimo trabalho executado (e aquela passerelle não era canja - a distância percorrida entre a saída de bastidores e o final da passerelle, junto aos fotógrafos, era de 70 longos metros).
«Nem saudade» intitula a colecção Inverno 07/08 de Maria Gambina (n. Oliveira de Azeméis, 1969) que, nesta 28ªedição ModaLisboa - pisou a passerelle duas vezes, já que foi ela que desenhou também a colecção de senhora da Lion of Porches.
Inspirada na Ópera do Malandro, de Chico Buarque, a colecção de homem e de mulher de Gambina encontram-se num ponto: o ar masculino de ambas, com um ponto de fuga na silhueta feminina com inspiração na lingerie. A deslocalização de fragmentos de peças re-colocadas foram aqui a tónica, visível por exemplo em camisas com pormenores de trench coat…
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PARTE VI
Aleksandar Protich (n.Belgrado, 1973) continua a desenvolver a sua abordagem gráfica e linear a nível do corte, mais rígida agora na forma, em materiais como a lã e a seda, segundo diferentes tons de grafite, cinza, preto e prateado. A primeira participação deste designer no Lab da ModaLisboa data de Abril de 2002 (ele reside em Lisboa há oito anos) e desde então que é visível o primor da sua costura. Um elemento recorrente nesta colecção de mulher para o Inverno 08 é uma espécie de aba/pétala sobreposta à anca; outro elemento é um tecido preto de brilho metálico (ver foto). A Cidade das Mulheres adorou os drapeados de Protich, as calças com riscas desencontradas (pelas costuras), e as blusas de seda com estampado de quadrados modernistas.
Anabela Baldaque (n.Vizela, 1964) trouxe a Lisboa uma colecção de mulher cheia de pormenores deliciosos, peças adoráveis que se querem tanto para o Inverno, como para o Verão (os vestidos, neste caso). Imbuída de um espírito Oriental Anabela …

A opinião das mulheres

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Parte V
Os anos 50 do cinemascope, das juke-box e das raparigas de rabo de cavalo foram reinterpretados por Katty Xiomara(n.Caracas, 1974) numa colecção de mulher que não foi tão activista, como em estações passadas, em prol de um revivalismo nostálgico e de um jogo com as peças da sua linha Katty Xiomara Intimo. Ao revisitar os tempos do rock around the clock Katty ficou um pouco presa nas malhas que ela própria teceu, muito embora a frescura que ela consegue colocar em cada peça e/ou quadro de roupa nos faça esquecer esta sensação de já visto e já assimilado.
Escrever sobre o trabalho implícito em cada colecção de Luís Buchinho (n.Setúbal, 1969) é cada vez mais difícil, dada a complexificação inscrita em cada peça (corte, molde, desenho, etc.). A inspiração em vestuário utilitário segundo linhas clássicas revisitadas num ambiente descontraído, informal e cosmopolita é o tema. Mas na altura da passagem passar para o papel o que está em presença na passerelle, não é nada fácil. Revejo o…
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Parte IV
O dia apresentava-se claro e luminoso para receber a nova colecção algo futurista de Ricardo Dourado (n.Cabeceiras de Basto, 1980), a que resolveu chamar «dresses for rain». Não foi o único designer a inspirar-se no corte masculino com raízes na indumentária do séc.XVI, a que juntou os ambientes de um passado muito mais próximo, os finais dos anos 80 e o ar desportivo dos anos 90, «tudo em estreita ligação a um futuro de ambientes mais industriais, tecnológicos, sombrios por natureza.» Propôs assim a rua, a noite, o movimento e a liberdade como a moldura conceptual para uma apropriação da aparência, consoante um léxico de materiais (vários tipos de algodões com induções; lã; plástico / holograma), de cores (azul noite em duas derivações; preto; cinza; apontamento hipercolorido), de volumes em contraste/sobreposições, e efeitos estruturais e/ou gráficos.
Depois de Dourado, tivémos em passerelle a colecção de Ricardo Preto, «I could live forever», cujas peças podem, segundo ele,…
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Parte IV
Sara Lamúrias (n.Lisboa, 1976) desenha a etiqueta «aforest-design», um projecto próprio que visa comunicar novas ideias através do design, da moda e da arte. Uma visita ao seu sítio na internet - www.aforest-design.com – dá a conhecer os seus produtos de edições limitadas, lançadas trimestralmente. Presente desde 2005 na plataforma Lab da ModaLisboa, onde se pretendem dar a conhecer as experiências mais laboratoriais no campo do design de moda, «aforest» faz uma abordagem táctil à moda, «fazendo aparecer espaços negativos, volumes e interiores de formas básicas do vestuário e seus detalhes», numa colecção unisexo de peças de malhas tricotada ou felpas evocando peças fantasma, como golas de um blazer no jacquard de uma camisola de lã. Muito interessante o modo como Sara trabalha os pormenores e a forma como através do conceito de arte aplicada consegue transformar as peças do seu vestuário originalmente casual. Gostei especialmente dos moinhos/flor em recorte nas sweat-shirts e…
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Colecção Filipe Faísca Outono/Inverno 2007/08
Fotografia: Rui Vasco/Arquivo ModaLisboa
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Parte III
’Venham mais cinco’: a canção que Faísca escolheu para o final do desfile e que recordo aqui para falar de mais nomes que já passaram pela passerelle da ModaLisboa (Outono/Inverno 2007/08). Dino Alves (n.Anadia, 1967) colocou a manequim Sofia Baessa a abrir o seu desfile com uma gigantesca sombrinha-chapéu, cor branca. Mulher-anjo, futurista, onírica, consoante a vida terrena (nos) permite. O mais comum é que uma colecção de Dino dê origem a uma galeria de personagens etno-urbanas, como se os homens e mulheres em presença na passerelle estivessem prontos a entrar para dentro não de um, mas de vários filmes. Desta vez, Dino escolheu apresentar roupa, sem muita encenação à sua volta. Para tal, recorreu a uma silhueta muito volumosa, combinada com peças muito cingidas ao corpo; quis experimentar volumes inesperados e uma silhueta facetada, misturando para além disso imagens angelicais, com outras mais agressivas e austeras. Explorou efeitos de texturas em tamanhos XXL – desfocad…
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PARTE II
Depois de um final de tarde a correr, A Cidade das Mulheres chegou ao Museu de História Natural um bocado depois de já ter começado o desfile de Nuno Gama. Nada a fazer, senão esperar pelo próximo: Filipe Faísca (n.Moçambique, 1964), um quase histórico da moda de Lisboa, que esteve muitos anos «recolhido» em atelier, sempre a trabalhar para teatro ou de forma personalizada. Aqui, para o Museu de História Natural trouxe uma colecção exemplar, que intitulou «clássico rural». Foi aos tempos da adolescência passada no Alentejo, que se seguiu ao seu regresso de África, e deixou que certos modos no trajar invadissem a sua coleção, como o chapéu sobreposto ao lenço na cabeça (para mulher e para homem). O desfile abriu com um coro de vozes femininas (banda sonora rural/urbana/pop) e todo ele foi uma elegia à moda que não esquece a raiz popular do traje. Mais à frente A Cidade das Mulheres mostrará imagens deste recuperar da etnografia by Faísca.
Entretanto, a noite avançou com Lion of…