Dino (auto)didacta lança manual de instruções

Dino Alves apresentou ontem a sua colecção para o próximo Outono/Inverno e na sua mala para essas estações trouxe, por ordem de entrada, em cena uma performance de moda (uma das coisas que Dino faz melhor, entre outras), crítica social, comédia, e, finalmente, uma espantosa colecção, com muito patchwork de ideias, histórias (só cada tecido já conta uma!), com efeito máximo! Ora, aqui, estou a analisar como critica de moda mais do que como jornalista (que já não sou). Os desfiles das colecções de Dino sempre me encantaram por serem momentos de 'catarse' etno-antropológica. O que quero dizer com isto? Dou um exemplo: há uns anos, algures já na década de 2000, Dino apresentou uma colecção de saias, calças, com chapéus e outros atavios, tudo em preto, típico na cultura portuguesa, incluindo ainda a urbana-existencialista, com manequins em tronco nu na passerelle, eles e elas. Foi uma manifestação de igualdade de género ou pura exibição? Depende da leitura. Depende do tempo. Depende da afirmação que se quer fazer. Por mim, tirei-lhe o mesmo chapéu (o da igualdade). 
Ontem: a crítica social a toda uma classe jornalistica que emoldura qualquer passerelle que se preze foi feita ao jeito de intervenção teatral, numa rábula interpretada por uma dupla de peso, constituída pelas actrizes Maria Rueff e Ana Bola. Foi só rir. Um pouco longo, mas isso é um pormenor. Rir faz bem e espanta os males. Os males de quem faz roupa e empresta roupa, em vez de vender (porque lha pedem emprestada para os 'eventos', as 'galas'... and so on). Antes da entrada das actrizes, um grupo alargado de manequins entrou na passerelle dentro de capas fechadas (de guardar roupa no armário), com uma abertura de fecho apenas suficiente para respirar. O efeito de cabides ambulantes, com roupa vestida, cabides com pernas portanto, teve grande impacto visual, na penumbra, onde todos estávamos mergulhados. A realidade é a mesma quando há sombra, mas o sol quando nasce é para todos. Well done Dino. Love.

Cristina L. Duarte    

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