13.5.10

Ideário talvez, mas só com E

No próximo dia 20 de Maio a UMAR promove a seguinte tertúlia Mundos ideais censurados: Feminismos e Religiões, 20 de Maio, na sequência dos acontecimentos que a seguir se relatam.

A 10 de Maio de 2010, a associação UMAR esteve no Largo do Chiado e de Camões, entre as 12.30h e as 14h, para distribuir gratuitamente um documento público com um discurso crítico e alternativo ao discurso dominante da hierarquia da Igreja Católica, no contexto da vinda do Papa Bento XVI a Portugal. A este documento chamou, a associação, de “i diário”, constituído por notícias fictícias de um mundo considerado ideal pela organização e distribuído sob a designação de novo jornal diário gratuito. Notícias como “Mulheres vão ser Padres” e “Fim das propinas anunciado para 2011” figuram na capa.
A 11 de Maio, recebeu a associação um mail do gabinete de advogados representante da empresa “SOJORMÉDIA CAPITAL, SA”, proprietária do “Jornal i”, informando ter tomado conhecimento que, e citamos, «V.Exas conceberam e distribuem um jornal intitulado “i diário”. Jornal que toma várias posições contrarias à igreja católica em geral e de Sua Santidade o Papa Bento XVI.», e acrescentando que «porque a conduta de V.Exas é passível, entre outras, de queixa-crime e afim de evitar mais danos quer ao jornal “i” quer a V.exas, vimos solicitar que cessem de imediato a ilicitude, designadamente procedendo à recolha de todo e qualquer jornal, além da divulgação pública de que o jornal diário “i” é totalmente alheio à vossa publicação.»
Uma vez que a intenção da UMAR nunca foi fazer qualquer associação ao referido jornal, enviou, de imediato, um comunicado de imprensa em que esclarece eventuais confusões entre o “i diário” e o “jornal i”. Não se procedeu a qualquer recolha de exemplares, uma vez que já todos tinham sido distribuídos individualmente e sem recurso a bancas de jornais e outras distribuidoras.

Eis o comunicado enviado a 11 de Maio:

CLARIFICAÇÃO “i diário” NADA TEM QUE VER COM “Jornal i”
A UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) esclarece que a iniciativa de publicação de um “i diário”, constituído por notícias fictícias de um mundo ideal (desde o anúncio de que as mulheres vão poder ser padres, até ao perdão da dívida externa do Haiti) e distribuído sob a designação de novo jornal diário gratuito, no dia 10 de Maio, em Lisboa, não tem qualquer associação com o “Jornal i”, nomeadamente, em termos de título, tamanho, cor, grafismo, qualidade do papel, número de páginas e locais de distribuição.

O “i diário” é uma iniciativa da exclusiva responsabilidade da UMAR (tal como anunciado na contracapa do documento, em artigo de meia página, e com os respectivos contactos), ainda que conte com diversos apoios, como a colaboração da organização Católicas pelo Direito de Decidir, do Brasil.
Este jornal não terá outras edições visto que o objectivo da sua criação foi, unicamente, constituir um documento público com um discurso crítico e alternativo ao discurso dominante da hierarquia da Igreja Católica Apostólica Romana, à semelhança de diversos movimentos de católicos/as, no contexto da vinda do Papa Bento XVI.

No dia seguinte à difusão deste comunicado pela comunicação social, 12 de Maio, dois inspectores da ASAE deslocam-se às instalações da UMAR, em Lisboa. Com base em queixa-crime de contrafacção, imitação e uso ilegal de marca, apresentada pela “SOJORMÉDIA CAPITAL, SA”, proprietária do “Jornal i”, a ASAE procede à apreensão de todos os exemplares do “i diário”, existentes nas instalações.
Como tal, não foi feita qualquer distribuição de exemplares do “i diário”, da UMAR, no Porto, hoje 13 de Maio, ao contrário do anunciado pela associação.
O processo encontra-se em andamento, mas a associação está já a alterar o título do documento para “ideário” (trocadilho subentendido no anterior título), a fim de disseminar, massivamente, o documento e as suas mensagens.

Comunicado da UMAR na sequência da apreensão pela ASAE dos exemplares do jornal gratuito “i diário”
Lisboa, 12 de Maio de 2010

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Por todas nós

foto-cortesia de Mlle. Vi.  Paris, Museu Militar, junto à igreja onde está enterrado napoleão.