Mulheres do Jazz (back to 07 :)

  

No mais recente Jazz em Agosto (da Fundação Calouste Gulbenkian) foram várias as mulheres que, ao correr dos concertos, estiveram integradas na programação. Desde Shirley Clarke, que realizou o filme documental sobre o músico e compositor Ornette Coleman, «Ornette: Made in America» (1985), passando por Claire Daly, sax barítono (com Joe Fonda’s Bottoms Out «Loaded Basses»), Marilyn Crispell, piano (Quartet Noir), Lauren Newton, voz (Timbre), até Joëlle Léandre, contrabaixo, que tocou primeiro com Quartet Noir, e depois a solo. Sobre o filme Deborah Snyder (CEO, Synergetic Press) escreveu que «as técnicas inovadoras que a realizadora Shirley Clarke e a produtora Kathelin Hoffman empregaram neste filme assemelham-se de muito perto à música do homem que tomaram por tema, desafiando o formato tradicional de documentário de modo a revelar a extraordinária visão de Ornette, através de uma igualmente extraordinária realização artística».
Joëlle Léandre (n.12.07.1951, Aix-en-Provence, França) começou por tocar flauta de bisel, passando rapidamente para o piano. Joëlle considera-se uma música expressiva. Para ela, a arte é linguagem, energia, módulo, vibração. O seu pai ouvia solos de ópera, de quem ela diz ter herdado o seu lado artístico. Entre os nove e os 14 anos de idade estudou piano e contrabaixo na sua cidade natal de Aix-en-Provence. O seu professor, Pierre Delescluse, encorajou-a a frequentar o Conservatório Nacional Superior de Música de Paris onde ganhou o primeiro prémio em contrabaixo. Em 1976 recebeu uma bolsa do Center for Creative and Performing Arts (Centro de Artes Criativas e Performativas) de Buffalo, iniciando assim um período da sua vida que veio a revelar-se uma influência particular no seu trabalho, em virtude de encontros com Morton Feldman, e com a música de Earl Brown, John Cage e Giacinto Scelsi. Ao mesmo tempo, teve oportunidade de contactar a cena musical da downtown nova-iorquina e de prosseguir o seu envolvimento com a música improvisada. Joëlle Léandre tocou e gravou em todo o mundo com Derek Bailey, George Lewis, Irène Schweizer, Anthony Braxton, Maggie Nicols, Lindsay Cooper, Fred Frith, Evan Parker, Carlos Zíngaro, Jon Rose, Eric Watson, Lol Coxhill, Peter Kowald, William Parker, Barre Phillips. É membro do Grupo Feminino Europeu de Improvisação (European Women's Improvising Group, e integrou Les Diaboliques, com Maggie Nichols e Irène Schweizer. Para ela, há tantos sons quantas moléculas no corpo humano. Quando improvisa, do momento em que emite o primeiro som, compõe, diz-nos. «There is body and thought». Afirmou em 2003 ao Jazz Magazine: «Sabem, tomar a palavra é importante. As mulheres têm poucos modelos, poucos ídolos. Pelo contrário, nós temos de carregar o peso de uma história em que as mulheres não passavam de musas, emolduradas em quadros ou em poemas».

«Mulheres do Jazz», texto de divulgação para o jazz em agosto de 2007 (3 a 11 Agosto), por 
Cristina L. Duarte

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