Gisberta

O Debate «Lembrando Gisberta: Identidade de Género e Cidadania» vai acontecer amanhã, pelas 15h30, no Clube Literário do Porto, na rua Nova da Alfândega, n.º 22, com organização do Grupo de Reflexão e Intervenção do Porto (GRIP).


«Em Fevereiro de 2006, Gisberta Salce Júnior foi encontrada morta numa obra abandonada no coração do Porto. Era mulher, transsexual, e excluída. Foi insultada, humilhada, agredida e violentada ao longo de vários dias, e finalmente atirada para um poço onde morreu afogada. Os responsáveis foram um grupo de 14 adolescentes entre os 12 e 16 anos de idade. A maioria deles estava ao cuidado da mesma instituição de acolhimento de menores tutelada pela Igreja Católica. Exposto o caso, os responsáveis pela morte de Gisberta foram julgados no Tribunal de Família do Porto. A sentença considerou que ela não tinha sido vítima de homicídio (...). Gisberta nunca foi reconhecida como mulher pelo Estado português, e foi essa mesma falta de reconhecimento que não a deixou ser cidadã. A sua morte bárbara foi o ponto final que pôs a descoberto a exclusão sobre a qual foi forçada a construir toda a sua vida. Três anos depois, nada mudou: o estado português continua a recusar-se a reconhecer a identidade e cidadania das pessoas transsexuais, e nenhum partido apresentou qualquer proposta de Lei de Identidade de Género. »
O debate contará com a presença de Nuno Carneiro (psicólogo, investigador, activista LGBT independente), João Tavares (interno de psiquiatria do Hospital de Júlio de Matos), Ricardo F. Diogo (advogado estagiário), Luísa Reis (GRIP), com moderação de Salomé Coelho (doutoranda em Estudos Feministas).

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